Ordinariato Castrense: Bispo destacou missão da GNR de Castelo Branco em território de «morte social»

«São os primeiros a chegar, os últimos a sair e, em não poucos casos, os únicos que garantem que alguém não está completamente só» – D. Sérgio Dinis

Foto: GNR – Comando Territorial Castelo Branco

Castelo Branco, 24 mar 2026 (Ecclesia) – O bispo do Ordinariato Castrense de Portugal presidiu à Missa do aniversário do Comando Territorial de Castelo Branco da Guarda Nacional Republicana (GNR), na homilia estabeleceu um paralelo entre a ressurreição de Lázaro e a missão destes militares.

“Não são apenas agentes da ordem pública; são uma presença estruturante num território que precisa de proximidade, de vigilância, de confiança. Muitas vezes, são os primeiros a chegar, os últimos a sair e, em não poucos casos, os únicos que garantem que alguém não está completamente só”, disse D. Sérgio Dinis, na Eucaristia, este domingo, 22 de março, na igreja albicastrense de São Miguel.

O bispo da Diocese das Forças Armadas e de Segurança de Portugal destacou que o território de Castelo Branco, “vasto e belo”, é marcado por uma “forte diminuição demográfica”, pelo envelhecimento e “pela solidão de muitas populações”, por isso, conhece “formas discretas de ‘morte social’”, como “o isolamento, a fragilidade, a perda de referências, o abandono silencioso de tantas aldeias”.

A partir das leituras bíblicas, nomeadamente do Evangelho do V Domingo da Quaresma que relatou a ressurreição de Lázaro D. Sérgio Dinis afirmou que o serviço da GNR pode ser compreendido como “uma participação concreta naquela dinâmica de ‘retirar a pedra’ e ‘desligar as ligaduras’”.

Os militares da Guarda, acrescentou o bispo do Ordinariato Castrense, sempre que protegem, previnem, acompanham e exercem a autoridade “com justiça e humanidade”, “estão a contribuir para que a vida não fique encerrada nos seus ‘túmulos’, sejam eles o medo, a insegurança ou o abandono”.

O bispo das Forças Armadas e de Segurança de Portugal lembrou também o desgaste dos efetivos da Guarda Nacional Republicana — “o cansaço, a pressão, o risco de endurecimento” —, e explicou que a Quaresma, período de preparação para a Páscoa, é “tempo de retorno ao essencial, de purificação do coração, de redescoberta da primazia de Deus”.

“Só um coração habitado pelo Espírito pode sustentar, de modo duradouro, uma missão exigente como a vossa”, afirmou.

O Comando Territorial de Castelo Branco da Guarda Nacional Republicana (GNR) comemora o seu 17º aniversário no dia 27 de março, mas antecipou a celebração de Ação de Graças para este domingo, 22 de março, presidida na igreja de São Miguel, a Sé Concatedral albicastrense da Diocese de Portalegre-Castelo Branco.

“Um momento de grande significado e espiritualidade, que reuniu militares e comunidade local, reforçando os laços de união, fé e solidariedade”, assinala o Comando Territorial da GNR de Castelo Branco, sobre a cerimónia religiosa, na sua página na rede social Facebook.

O Ordinariato Castrense informa que participaram nesta Missa o comandante do Comando Territorial da GNR de Castelo Branco, coronel Luís Patrício, oficiais, sargentos, guardas e civis afetos à estrutura militar, e o seu capelão, o padre José Bento, o capelão adjunto para a Guarda Nacional Republicana, o padre Borges da Silva, e o padre António Santiago, capelão do Comando Territorial de Coimbra, e o diácono João Serrasqueiro.

CB/OC

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