Lisboa: Museu de Santo António mostra histórias devocionais e curiosidades da ligação com figura de referência para devoção popular

32 peças de colecionadores particulares integram exposição «Meu querido Santo António», entre propostas que espaço museológico formula para envolver cidade e dar a conhecer «diferentes facetas» do religioso

Foto Agência ECCLESIA/LS

Lisboa, 12 jun 2026 (Ecclesia) – O Museu de Santo António inaugurou uma exposição que reúne peças de colecionadores particulares, encontrando-se nomes de figuras públicas e particulares, que dão conta da devoção ao padroeiro da cidade de Lisboa.

“Foi um desafio aos colecionadores e o que nos interessou mais para esta exposição foi exatamente as histórias das peças. Claro que as peças são importantes, mas o que nós destacamos é o lado pessoal que cada peça tem. Há muitos colecionadores de Santo António, alguns com relação pessoal ao Museu, mas todos apresentam uma ligação ao Santo António”, apresenta à Agência ECCLESIA Leonor Alvim, curadora do espaço.

Numa vitrina, que acolhe 32 peças mas que poderia ser maior, encontra-se a imagem do pai herdada pelo apresentador José Carlos Malato, o Santo António polícia cedido pelo capelão, o padre Luís Leal, o Santo António de Luís Montez feito a partir do disco em vinil, ‘O Nazareno’, de Frei Hermano da Câmara, ou o exemplar saído do restaurante de Arlindo Brás que assume que quando o espaço para acolher a estatuária findar será hora de vender o restaurante.

Foto Agência ECCLESIA/LS

Uma das mais recentes aquisições do Museu, adquirido em leilão, depois de estar na posse de uma família, na ilha da Madeira, mostra a aparição do Menino Jesus a Santo António: uma peça datada do século XIX que demonstra a “devoção particular” e a relação com Santo António.

“Esta maquineta representa o milagre da aparição do Menino Jesus a Santo António e é deliciosa porque vê-se o Santo António à conversa com o Menino Jesus e todos os pormenores no quarto em que se passa esta cena, com a biblioteca de Santo António, com papelinhos enfiados nos livros, e, o melhor de tudo é que se pode colocar luz e ver ainda mais os pormenores de toda esta peça”, explica a curadora.

Noutra área do Museu, podem encontrar-se pedidos escritos a Santo António – percebe-se um escrito em caracteres chineses – e a curadora dá conta de um grande espólio que detêm: “Alguns chegam pela igreja de Santo António, outros são deixados junto à estátua. Guardamos tudo, não os lemos, e aqui estão apenas alguns”.

Os “castigos de Santo António” mostra como os fiéis reagem quando os pedidos demoram a ser concretizados: “Alguns dos castigos que são feitos a Santo António mostram o santo de costas para a parede, ou colocar o santo dentro de um copo de água, roubar o menino Jesus, e assim se mantêm até o pedido ser atendido”.

Leonor Alvim foca ainda, em exposição, duas imagens – o Santo Casamenteiro ou Santo milagreiro, consoante o menino Jesus está ao colo do lado direito ou do lado esquerdo.

Pedro Teotónio Pereira sublinha que o Museu tem por objetivo contar a história de Santo António, apresentando as várias facetas do santo, nascido em Lisboa, e venerado em Pádua, onde as suas relíquias se encontram, mostrando a sua vida de franciscano, a sua formação intelectual, as tradições desenvolvidas a partir da devoção ao primeiro doutor português da Igreja.

“Explicamos um pouco a história de Santo António: o ser de Lisboa, o grande intelectual e que foi muito importante para a afirmação da Ordem Franciscana, a construção da imagem de Santo António ao longo dos séculos e o que foi sendo acrescentado à sua história e a sua iconografia”, explica o responsável.

Pedro Teotónio Pereira apresenta um santo “muito popular”, pelo “pãozinho de Santo António, os tronos de Santo António, os casamentos de Santo António”, mas aponta “o lado erudito de Santo António”.

A oferta do Museu, que pretende ir ao encontro da cidade, criando ofertas de percursos e identificando espaços que uniram a vida de Santo António, quer ter proposta ao longo de todo o ano.

“Temos o percurso de Lisboa onde ainda existem marcas da sua presença na cidade; temos percursos relacionados com as marchas populares; fazemos sessões de fado aqui no Museu; dinamizamos a procissão de Santo António, no dia 13”, exemplifica.

O coordenador destaca ainda uma recente publicação ‘Santo António de Lisboa/de Pádua: caminhos em Itália’, editada pelo Centro de Estudos e Investigação de Santo António, que mostra um caminho de Santo António em Itália, desde a sua chegada à Sicília.

“O autor, Jorge Leitão, fez esta peregrinação desde a Sicília até Pádua. São quase 1.900 quilómetros que ele percorreu a pé e é uma descoberta interior enquanto peregrino. Nos últimos dez anos de vida passados em Itália, Santo António nunca parou e esses caminhos estão a ser agora retomados e relançados em Itália e em França”, indica.

A reportagem sobre a mostra ”Meu querido santo António’ pode ser acompanhada no programa ECCLESIA, emitido sábado, na Antena 1, pelas 06h0.

LS

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