Lisboa: Guerra, pobreza, solidão e catástrofes naturais nos passos da Procissão da Graça

«Pela justiça nós chegamos à paz», afirmou D. Rui Valério

Foto Diogo Paiva Brandão/Patriarcado de Lisboa, Procissão dos Passos da Graça

Lisboa, 02 mar 2026 (Ecclesia) – O patriarca de Lisboa presidiu este domingo à Procissão dos Passos da Graça e convidou os participantes à reflexão sobre os “passos” de Jesus, no caminho do Calvário, e os “passos da atualidade.

Na homilia que proferiu após o percurso entre a Igreja de São Roque, onde inicia a procissão, e a Igreja da Graça, D. Rui Valério disse que, em cada momento, estiveram presentes os passos e da humanidade, na atualidade.

“Há uma obrigação de nós, cristãos: não é um caminho que nos conduz apenas à compaixão, mas o caminho dos passos de Jesus deve-nos conduzir ao empenho, ao compromisso”, afirmou o patriarca de Lisboa, citado pelo portal de informação da diocese.

D. Rui Valério disse que a primeira missão da Igreja é “dizer a quem sofre, dizer a quem não passa muito bem: coragem, sso é apenas uma passagem, é apenas uma etapa”.

“A queda, o abandono, a traição, o desprezo, a ridicularização, transformaram-se em etapas de uma glória maior”, referiu.

O patriarca de Lisboa apelou também à construção da paz, na atualidade, apelando à oração e à sua força para “promover, estruturar, modelar o mundo e os corações numa cultura de paz”.

D. Rui Valério sublinhou também a necessidade de promover a justiça como fundamento da paz, evocando a afirmação do Papa São Paulo VI “Pela justiça nós chegamos à paz”, e desafiou a começar pelo “quinhão doméstico” e evitando a indiferença provocada pelo “risco do zapping” perante o sofrimento alheio.

“A compaixão é quando tu te comprometes com alguém realmente, quando tu vives e sentes na tua carne aquilo que o outro está a viver e a sentir”, afirmou.

Organizada pela Real Irmandade dos Passos da Graça, com o apoio da Irmandade da Misericórdia e de São Roque de Lisboa, a Procissão do Senhor dos Passos da Graça é uma das mais antigas manifestações religiosas da cidade de Lisboa, com origem em 1587.

A Procissão dos Passos da Graça contou com a participação do presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e do núncio apostólico em Portugal, D. Andrés Carrascosa Coso, que, com o Aio do Senhor dos Passos, foram convidados a acompanhar o patriarca de Lisboa na bênção à cidade com o Santo Lenho, uma relíquia da Cruz em que Jesus Cristo foi crucificado.

Na homilia da Missa, celebrada na Igreja da Graça, após a procissão e a meditação final, D. Rui Valério enquadrou a celebração no tempo da Quaresma, como preparação para o mistério pascal, que “envolve sofrimento, traição, alegria, fidelidade, abandono, solidão”, referindo também que os passos de Jesus com a Cruz são ensinamentos para os tempos atuais.

PR

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