Antigo líder da CGTP-IN recorda que o companheiro de «muitas iniciativas» gostava de «participar no coletivo, na sociedade, não era um individualista»

Setúbal, 17 ago 2026 (Ecclesia) – Carvalho da Silva, antigo secretário-geral da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical Nacional, lamentou hoje que os “portugueses são demasiado tolerantes com a pobreza”, uma ideia que recorda de Eugénio Fonseca, com quem partilhou “muitas iniciativas”, durante décadas.
“Gostava de relembrar agora que o Eugénio nos deixa, não deixa porque vai continuar entre nós, e temos que o ter entre nós, é a ideia de que os portugueses são demasiado tolerantes com a pobreza. Nós não podemos ser tão condescendentes com a pobreza”, disse Carvalho da Silva, de três notas sobre Eugénio Fonseca “mais relevantes”, em declarações à Agência ECCLESIA, esta segunda-feira, na Sé de Setúbal.
O antigo secretário-geral CGTP-IN destacou que “a solidariedade e a caridade”, como têm lembrado os dois últimos Papas – Francisco e Leão XIV –, “têm de ser transformadoras da sociedade, não podem ser atos isolados”, e lutar pela “cidadania social”, que é algo que Eugénio Fonseca “deixa e é preciso continuar”.
“Temos que agir de forma mais determinada, e este é um desafio coletivo da sociedade portuguesa. E combater mais pela solidariedade, pela dimensão da cidadania social, valorizarmos, como é necessário, a solidariedade em todas as suas dimensões, valorizarmos a própria caridade”, acrescentou o sociólogo.
Eugénio Fonseca, presidente da Confederação Portuguesa do Voluntariado, foi presidente da direção da Cáritas Diocesana de Setúbal, entre 1987 e 2016, e da Cáritas Portuguesa, de 1999 a 2020, e partilhou com Carvalho da Silva “muitas iniciativas”, durante décadas, umas a convite um do outro, em outras foram os convidados-

“Tivemos décadas de atividades propiciadas por caminhos diferenciados. E daí resultou uma aproximação que foi sendo cimentada, e que partilhámos com outros, estou-me lembrado do Bruto da Costa e outras pessoas”, referiu o líder histórico da Intersindical Nacional.
As cerimónias fúnebres de Eugénio Fonseca realizaram-se na manhã desta segunda-feira, dia 17, na Sé de Setúbal, seguindo o cortejo para o cemitério Nossa Senhora da Piedade, após a morte aos 69 anos de idade, vítima de paragem cardiorrespiratória, a 12 de agosto.
Carvalho da Silva destacou “três notas mais relevantes”, sobre Eugénio Fonseca, a primeira foram as suas convicções profundas, do ponto de vista da fé, “que lhe davam uma sustentação muito grande, e isso é uma marca, mas eram também as suas convicções profundas em relação à interpretação da sociedade”
“Daí resultava uma forma de agir que leva à segunda questão, que era a capacidade de estar na sociedade com posições, mas de uma forma independente. Reservava sempre espaço para ter a sua opinião, de uma forma solidária, ele gostava de participar no coletivo, na sociedade, não era um individualista. Era alguém que gostava de estar acompanhado e fazer parte de coletivos e participar, participar organizadamente, participar com um forte sentido coletivo”, desenvolveu o atual investigador e professor universitário.
O antigo secretário-geral da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical Nacional sublinha que o espaço de Eugénio Fonseca estava sempre salvaguardado “por essa preocupação de ter identidade, e de afirmar a identidade para a construção do coletivo”.
A Missa do funeral do antigo presidente da Cáritas foi presidida pelo bispo de Setúbal, o cardeal D. Américo Aguiar, na Sé.
HM/CB/PR
