Lisboa: Especialistas refletiram sobre «diálogo, educação e consolidação da paz», através dos manuscritos, o património cultural e a memória histórica

Secretário-geral do KAICIID destacou que os manuscritos «convidam a abrandar, a ler com atenção e a mergulhar nas camadas de significado inscritas na expressão humana»

Foto: Kaiciid

Lisboa, 01 jul 2026 (Ecclesia) – O Centro Internacional de Diálogo KAICIID, organização intergovernamental, reuniu especialistas portugueses e internacionais na mesa-redonda ‘Do Manuscrito ao Diálogo: O Papel do Património Cultural na Promoção da Coexistência Pacífica’, na sede da Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa.

“Os participantes trouxeram conhecimentos especializados sobre as tradições textuais islâmicas, cristã e judaica, bem como sobre as regiões e contextos históricos em que estas tradições se encontraram, traduziram mutuamente as suas obras, fizeram circular ideias e moldaram uma vida intelectual partilhada”, explica o KAICIID, em comunicado final enviado à Agência ECCLESIA.

O encontro ‘Do Manuscrito ao Diálogo: O Papel do Património Cultural na Promoção da Coexistência Pacífica’, na capital portuguesa, reuniu especialistas em manuscritos religiosos, história, património cultural, teologia, filologia e diálogo inter-religioso.

Organizado pelo Centro Internacional de Diálogo, através da Faculdade de Teologia (FT) da Universidade Católica (UCP) e dos seus centros de investigação — o Centro de Estudos de História Religiosa (CEHR) e o Centro de Investigação em Teologia e Estudos de Religião (CITER) –, as sessões examinaram a forma como “os manuscritos preservam evidências com ideologias semelhantes entre comunidades”, desde textos sagrados até à caligrafia, ornamentação, tradução, transmissão científica e circulação de livros além-fronteiras.

Segundo os especialistas, professores e investigadores nacionais e internacionais, as tradições manuscritas revelam séculos de intercâmbio intelectual, artístico e religioso, demonstrando como culturas e comunidades de fé se desenvolveram ao longo dos tempos através do contacto umas com as outras.

O diretor da FT, o padre Luís Miguel Rodrigues, destacou a importância de reunir a investigação académica, o património cultural e a prática do diálogo, num espaço dedicado ao estudo da religião e da teologia.

O secretário-geral do KAICIID, o embaixador António de Almeida-Ribeiro, destacou a relevância dos manuscritos que “convidam a abrandar, a ler com atenção e a mergulhar nas camadas de significado inscritas na expressão humana”, na abertura da sessão acolhida pelo CEHR, na sexta-feira, 26 de junho, na Sala dos Descobrimentos da UCP.

A mesa-redonda explorou quatro temas centrais: os manuscritos como memória da coexistência; os manuscritos interculturais e a transmissão de textos entre Oriente e Ocidente; os textos sagrados e os manuscritos científicos como base para um diálogo construtivo em torno de valores partilhados; e a estética da caligrafia, ornamentação e materiais como espaço não confrontacional de encontro cultural.

“É minha esperança que, ao reavaliar o valor dos antigos textos históricos para as questões atuais das relações inter-religiosas e interculturais, possamos percorrer o caminho entre religiões e culturas, do diálogo inter-religioso e intercultural para aquilo a que chamo ‘polilogo inter-religioso e intercultural’”, partilhou o professor Najib George Awad, Investigador Associado do Instituto de Estudos Cristãos Orientais da Universidade de Radboud em Nijmegen.

No encerramento, os participantes desta mesa-redonda refletiram sobre a forma como o património manuscrito pode “ser traduzido em iniciativas contemporâneas de consolidação da paz e de diálogo”, e debateram oportunidades para desenvolver exposições, ferramentas educativas, formatos narrativos, conteúdos mediáticos e parcerias culturais que “tornem este património mais acessível a públicos mais amplos”, indica o Centro Internacional de Diálogo, com sede em Lisboa.

CB

UCP/Lisboa: «Do Manuscrito ao Diálogo» – KAICIID promove debate sobre papel do património cultural para uma «coexistência pacífica»

Partilhar:
Scroll to Top