D. Manuel Clemente recordou passagem do Papa emérito por Portugal e como o percurso pessoal e pontifical demonstram «o exercício da justiça»

Foto: Patriarcado de Lisboa

Lisboa, 03 jan 2023 (Ecclesia) – O cardeal-patriarca de Lisboa disse que o percurso pessoal e pontifical de Bento XVI “demonstram com excecional clareza o exercício da justiça”, na Missa de sufrágio, que presidiu na Sé repleta de sacerdotes, leigos, jovens e representantes políticos.

“Creio que o percurso pessoal e pontifical de Bento XVI demonstram com excecional clareza o exercício da justiça, assim globalmente considerada e aplicada. Dar todo o lugar a Deus para dar também toda a atenção ao próximo, foi o que constantemente nos exortou a fazer, homilia a homilia, encíclica a encíclica, atitude a atitude”, afirmou D. Manuel Clemente na homilia.

Ainda neste contexto, explicou que a “insistência” do Papa emérito em recusar o indiferentismo ou o esquecimento de qualquer dimensão humana, “incluindo a religiosa, vai nesse sentido”.

O cardeal-patriarca de Lisboa presidiu esta segunda-feira a uma Missa de sufrágio pelo Papa emérito Bento XVI,  falecido este sábado, aos 95 anos de idade, e tinha pedido aos sacerdotes que convidassem e anunciassem “ao povo esta celebração para que possam participar”; clero e fiéis responderam positivamente e encheram a Sé patriarcal.

Para o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, Bento XVI foi um Papa que significou para a Igreja, mas também para o mundo, “aquilo que era um homem digno”.

Foto: Patriarcado de Lisboa

“Um homem que teve a capacidade de abdicar do poder, e isso é um ponto extraordinário, e a força que isso tem como símbolo para o mundo”, acrescentou aos jornalistas, explicando que participou na celebração para “em nome dos lisboetas para prestar as condolências” ao Papa “da verdade, da educação, que era um professor”.

Em representação do Governo português, na homenagem a “um homem que tocou Portugal e que tocou o mundo”, esteve a ministra da Justiça.

Segundo Catarina Sarmento e Castro, “o Governo não podia deixar de estar representado”, e recordou que Bento XVI “foi um intelectual, um teólogo, foi um homem de charneira”.

Na sua homilia, D. Manuel Clemente recordou a “memorável viagem” de Bento XVI a Portugal, que realizou de 11 a 14 de maio de 2010, onde passou por Lisboa, Fátima e Porto.

Para o padre Nuno Rosário Fernandes, pároco de Benfica (Nossa Senhora do Amparo), jovem diácono nesta visita papal que leu o Evangelho da Missa celebrada no Terreiro do Paço, no dia 11 de maio, a viagem foi “um momento muito grande e muito importante”, para si, “para toda a Igreja, para Portugal”.

“Para mim pela experiência de ter sido escolhido para fazer a proclamação do Evangelho naquele dia, recordo naquele momento olhava para a frente mas não via nada, estava muito concentrado naquilo que era a proclamação da Palavra e foi de facto um momento que não esqueço”, disse à Agência ECCLESIA.

Foto: Patriarcado de Lisboa

Antes da celebração na Sé patriarcal, o sacerdote, sobre o pontificado do Papa emérito, destacou o amor de Bento XVI à Igreja, “um amor muito grande à Igreja, uma dedicação, uma entrega”.

“Foi, de facto, um homem brilhante teologicamente, no seu pensamento, na sua forma de ver a Igreja e de olhar a Igreja, mas também de olhar o mundo: Era um homem que sabia ler o que eram os sinais dos tempos”, acrescentou o padre Nuno Rosário Fernandes, salientando também que a renúncia de Bento XVI também “demonstra uma atitude muito grande de humildade”.

Depois desta celebração, a Sé acolheu uma vigília de oração pelo Papa emérito Bento XVI, presidida por D. Manuel Clemente, com organização do Serviço da Juventude do Patriarcado de Lisboa / Comité Organizador Diocesano.

CB

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