Patriarca presidiu à Missa da solenidade litúrgica da Dedicação da Sé

Lisboa, 26 out 2026 (Ecclesia) – O patriarca de Lisboa desafiou este domingo a Igreja a ir ao encontro de quem está afastado e a escutar as feridas da sociedade, falando na solenidade litúrgica da Dedicação da Sé.
“Antes de perguntarmos como conseguir que as pessoas regressem à Igreja, precisamos de perguntar como podemos nós regressar às pessoas. Antes de lamentarmos que tantos já não escutem a mensagem cristã, importa interrogarmo-nos sobre a nossa disponibilidade para escutar as suas inquietações, as suas feridas e as suas perguntas”, afirmou, numa homilia divulgada online.
Na celebração vespertina, com a participação de membros do clero, de institutos religiosos e leigos das comunidades do Patriarcado, D. Rui Valério advertiu que uma comunidade pode dispor de liturgias cuidadas, estruturas organizadas e múltiplas atividades, mas perderá o essencial “se deixar de olhar para aqueles que estão fora”.
“Não somos enviados para anunciar a nossa importância, defender os nossos interesses ou simplesmente assegurar a continuidade das nossas instituições”, frisou D. Rui Valério.
Num tempo saturado de informação, mas frequentemente empobrecido de verdadeira comunicação, a escuta tornou-se uma das primeiras exigências da missão cristã.”



O patriarca de Lisboa sustentou que o anúncio do Evangelho cabe a cada batizado tornar reconhecível a presença divina “na família, no trabalho, na escola, na vida pública, junto dos que sofrem e daqueles que vivem esquecidos”.
A partir do relato evangélico do diálogo de Jesus com a samaritana e da profecia de Isaías sobre a universalidade da fé, o responsável católico definiu os crentes como “pedras vivas” chamadas a levar a proximidade de Deus a quem nunca entra num templo.
“Não fomos batizados apenas para encontrar Deus, mas também para que outros O possam encontrar através de nós. A Igreja reúne-se para celebrar a presença do Senhor, mas não pode guardar para si aquilo que recebeu”, indicou.
D. Rui Valério concluiu a intervenção apresentando a Sé Patriarcal como a igreja-mãe de uma diocese que assume como território de missão “todas as casas, todas as ruas e todos os lugares onde se desenrola a existência humana”.
OC
