«Nem tudo o que é tecnicamente possível é humanamente desejável», alertou D. Rui Valério, na cerimónia nacional de abertura do ano letivo

Lisboa, 26 out 2026 (Ecclesia) – O patriarca de Lisboa desafiou a Universidade Católica Portuguesa (UCP) a orientar a transformação tecnológica, em particular no desenvolvimento da inteligência artificial (IA).
“A inteligência artificial está a transformar profundamente a maneira como conhecemos, trabalhamos, comunicamos e decidimos. Uma Universidade não pode assistir a esta revolução do lado de fora, tem de estar na fronteira do conhecimento, participar na descoberta científica e abrir caminhos à inovação”, afirmou D. Rui Valério, na cerimónia nacional de abertura do ano letivo, que decorreu esta sexta-feira.
“Uma Universidade Católica tem uma responsabilidade adicional: não apenas explorar aquilo que a humanidade é capaz de fazer, mas ajudá-la a discernir aquilo que merece ser feito”, acrescentou.
O magno chanceler da instituição declarou que Portugal precisa da Católica como uma referência “livre e corajosa” na análise das transformações contemporâneas.
“Nem tudo o que é tecnicamente possível é humanamente desejável”, advertiu o patriarca de Lisboa, pedindo o diálogo da ciência com a filosofia, o direito, a economia, as humanidades e a teologia.
D. Rui Valério sustentou que “a tecnologia nunca é inteiramente neutra”, indicando que as escolhas tecnológicas incorporam critérios, prioridades e uma determinada conceção do ser humano.
O patriarca de Lisboa advertiu para o risco de o desenvolvimento dos sistemas tecnológicos ser acompanhado por uma perda de compreensão sobre a pessoa.
“De pouco serviria construir máquinas cada vez mais inteligentes se desistíssemos de formar pessoas cada vez mais sábias”, assinalou, recordando a encíclica ‘Magnifica Humanitas’, de Leão XIV.
O magno chanceler pediu que a UCP ajude a sociedade a interpretar a atualidade, num contexto marcado pela abundância de informação e pela multiplicação de opiniões.
“Uma sociedade que apenas reage aos acontecimentos corre o risco de perder a capacidade de orientar o seu próprio destino”, observou D. Rui Valério.
O responsável manifestou o desejo de que a Católica seja um espaço “onde Portugal pensa Portugal”, a Europa interroga o seu futuro e os desafios contemporâneos são examinados a partir da dignidade humana e do bem comum.
“Uma Universidade verdadeiramente livre não existe para confirmar as certezas dominantes, mas para procurar a verdade, mesmo quando esta contraria as conveniências do momento”, precisou.
A cerimónia realizou-se no Auditório Cardeal Medeiros, em Lisboa, e incluiu a graduação dos diplomados do ano letivo 2025/2026.
A Universidade Católica Portuguesa atribuiu o doutoramento honoris causa ao padre jesuíta William P. Leahy, presidente emérito do Boston College.
A sessão incluiu ainda a entrega dos Prémios Inovação Pedagógica 2026, dos Prémios UCP/Caixa Geral de Depósitos e de medalhas a docentes e funcionários com 25 e 40 anos de serviço.
OC
