D. Armando Esteves Domingues lembrou dificuldades como o acesso à habitação, e constituição de família

Angra do Heroísmo, Açores, 26 out 2026 (Ecclesia) – O bispo de Angra pediu aos Romeiros de São Miguel que sejam “o antídoto contra a entrada do vírus da secularização na sociedade”, aproximem os jovens à comunidade cristã e testemunhem Cristo no mundo, este domingo, nas Capelas.
“Os jovens são os que mais sofrem; pensemos que estamos a pôr em risco uma geração”, disse D. Armando Esteves Domingues, ao Movimento Romeiros de São Miguel, este domingo, 25 de outubro, informa o portal online ‘Igreja Açores’.
O bispo de Angra alertou para as dificuldades de quem constitui uma família com filhos, e pediu aos romeiros de São Miguel que rezem por esses jovens durante as Romarias Quaresmais, para que encontrem condições para construir o seu futuro.
O primeiro retiro espiritual dos Romeiros de São Miguel, que marcou o início do ano pastoral 2026/2027 do movimento, e inaugurou o programa de preparação pastoral, reuniu mais de 250 romeiros de todos os ranchos desta ilha açoriana, e representantes dos dois ranchos da diáspora, na Escola Básica Integrada de Capelas.
D. Armando Esteves Domingues refletiu sobre ‘Como chegar à outra margem’, a partir do tema pastoral diocesano 2026/2027 e da passagem evangélica de Jesus pelo mar da Galileia, e falou sobre o caminho de conversão, acolhimento e missão a que os romeiros são chamados, salientou a importância de ir ao encontro de quem está afastado, dos mais frágeis e de quem a sociedade tende a ignorar.
“Jesus está sempre em caminho”, afirmou, indicando que a missão dos cristãos passa também por “arriscar o encontro com o outro”, e que a outra margem pode estar nas próprias comunidades, nas paróquias, nas famílias, nas estruturas e movimentos da Igreja.
O bispo de Angra assinalou a presença significativa na Igreja na sociedade da religiosidade popular e das romarias quaresmais, os romeiros representam uma oportunidade de levar o Evangelho ao mundo, e pediu que continuem a ser “o antídoto contra a entrada do vírus da secularização na sociedade”.
“O romeiro não caminha sozinho, nem sobrevive sozinho. Não deixem que os vossos párocos falem sozinhos ou as catequistas deem catequese sozinhas. Ajudem a fazer discípulos”, acrescentou.
Segundo D. Armando Esteves Domingues, a romaria não deve ser um fim em si mesma, mas preparar os romeiros para viverem a sua fé no quotidiano e no contacto com o mundo, por isso, desafiou-os a manterem-se firmes na sua identidade, sem receio de sair da zona de conforto: “Se alguma coisa não está a funcionar, é porque eu não estou a fazer a minha parte”.

O presidente do Grupo Coordenador do Movimento Romeiros de São Miguel, Nuno Furtado, abordou o problema da habitação e destacou a importância da solidariedade e do compromisso coletivo perante as dificuldades sociais, entre as diversas iniciativas destaca-se a recolha de bens para pessoas em situação de sem-abrigo, informa o sítio online ‘Igreja Açores’.
A Diocese de Angra indica que estão agendados mais dois deste movimento de romeiros, para jovens romeiros, no dia 16 de dezembro, e de preparação para as romarias quaresmais 2027, a 24 de janeiro do próximo ano.
Nas Romarias Quaresmais 2026, os 53 ranchos percorreram a ilha açoriana de São Miguel, entre o dia 21 de fevereiro, e Quinta-feira Santa, 2 de abril; também existem romarias nas ilhas de São Jorge, Terceira e na Graciosa.
As Romarias Quaresmais de São Miguel são uma tradição secular (desde o séc. XVI) e uma das mais importantes expressões de fé nos Açores, onde ranchos (grupos) de homens percorrem a ilha a pé durante a Quaresma, visitando igrejas e ermidas de Nossa Senhora em oração e penitência.
CB/OC
