Lisboa: Cáritas Diocesana assume preocupação com «prevenção de catástrofes», após tempestades

Carmo Diniz lembra consequências do temporal das últimas semanas e a ação do organismo perante intempérie, num ano em que assinala 50 anos de trabalho social

Foto: Lusa

Lisboa, 26 fev 2026 (Ecclesia) – A diretora da Cáritas Diocesana de Lisboa assumiu hoje a prevenção de catástrofes como uma das preocupações do organismo, recordando as tempestades que assolaram Portugal nas últimas semanas.

“Eu acho que nós temos de fazer mesmo a reflexão com a Proteção Civil, com os bombeiros, o que é que é o nosso papel, onde é que devemos estar, o que é que nós podemos prevenir. Neste momento, ainda muito afetados pelas tempestades, estamos muito preocupados com o que vai ser a prevenção de catástrofes”, afirmou Carmo Diniz à Agência ECCLESIA.

Em declarações no âmbito da celebração dos 50 anos da Cáritas Diocesana de Lisboa, a responsável lembra que o organismo tem um papel nos casos de emergência e que, quando acontece uma catástrofe, tem a função de “olhar para as pessoas”.

Foto: Miguel Rato/Renascença

“O ano passado passámos por um apagão que parece quase um sinal, atenção que nada é certo, as comunicações não são certas, a eletricidade não é certa, e nós temos que saber trabalhar e viver nestas situações. Este ano já não foi um sinal, já foi um acontecimento muito sério”, destacou.

Depois de contactar com o norte da Diocese de Lisboa e perceber que estava tudo bem, Carmo Diniz recorda que o organismo acompanhou a Cáritas Diocesana de Leiria no terreno, com uma equipa que incluiu duas assistentes sociais.

“Nós fizemos a recolha de dia 2 a dia 6, há 20 dias acabamos as recolhas e ainda estamos a receber bens. Graças a Deus e graças à generosidade de todas as pessoas, vamos poder apoiar e cumprir a nossa missão de apoio social para além do que foi a estrita região afetada”, deu conta.

A responsável garante que os afetados pelo temporal serão os primeiros a receber os bens e que graças ao grande gesto de solidariedade demostrado vai ser possível “dar uma resposta social, sobretudo alimentar”, “mais forte e robusta, numa região mais alargada do que é do olho do furacão”.

Carmo Diniz reforçou que as catástrofes aparecem de qualquer sítio e têm um efeito que é impossível de prever e que essa é uma apreensão também partilhada pelo patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, que destinou a renúncia quaresmal à Cáritas Diocesana, para apoiar pessoas e instituições afetadas pelo temporal.

O que me preocupa é […]  como é que eu me vou preparar para a próxima catástrofe? Porque eu não sei se é uma tempestade, se é um fogo, se é uma seca, não sei qual vai ser a natureza dessa catástrofe, mas que ela vai acontecer, é natural que aconteça”, expressou.

A Cáritas Diocesana de Lisboa celebra, a 23 de junho de 1976, 50 anos, que motivaram a organização de um programa de celebrações.

Questionada sobre as prioridades para os próximos tempos, Carmo Diniz indicou que o organismo vai continuar a “trabalhar com o tema das migrações”, um dos seus eixos de atuação.

“Já temos muito conhecimento acumulado e queremos alargar o território e alargar através da rede, apoiando e reforçando e capacitando as paróquias, que são as estruturas locais, de proximidade, ou os grupos paroquiais, para uma resposta a migrantes, que seja mais eficiente, próxima, amiga”, salientou.

Também a solidão estará no horizonte da Cáritas Diocesana de Lisboa: “Estamos a expandir o nosso projeto ‘Par e Passo’ de Acompanhamento de Idosos. Já estamos há dois anos a testar aqui em Lisboa, e estamos agora a expandir para o Oeste, Torres Vedras”.

No que toca à conversão ecológica, a Cáritas tem “preocupação com a eficiência energética e um protocolo com o Grupo de Cuidar da Casa Comum de Santa Isabel” de promovê-la nas paróquias e grupos, além de ter como objetivo alargar as lojas sociais.

LJ

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