Prefeito do Dicastério para a Cultura e Educação foi distinguido com a Medalha de Honra da Cidade

Lisboa, 17 set 2026 (Ecclesia) – O cardeal português D. José Tolentino Mendonça defendeu hoje, em Lisboa, que a capital deve afirmar-se como um espaço de interculturalidade e acolhimento, recordando a sua própria chegada à cidade em 1975, na ponta aérea dos retornados.

“É necessário dialogar, ativar práticas de reconhecimento, retirar tantas vidas do anonimato ou da clandestinidade civil, através de políticas efetivas de integração. Uma cidade não se mede pela quantidade de gente que recebe, mas pela qualidade do reconhecimento que gera e da fraternidade que realiza”, afirmou o prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação (Santa Sé), ao receber a Medalha de Honra da Cidade.
Durante a cerimónia solene, realizada nos Paços do Concelho, o colaborador do Papa sustentou que “não há identidade que se sustente sozinha, desconhecendo ou colocando obstáculos à alteridade”.
“Toda a identidade é um lugar e uma prática inacabada, eu diria interminável, de hospitalidade”, insistiu.
O discurso recordou que, noutros séculos, se partiu da capital portuguesa “para a aventura do encontro com mundos distantes”.
Essa espécie de epopeia humana, que outrora se viveu em geografias deslocadas e longínquas, Lisboa vive-a hoje dentro de portas como uma complexa cosmópolis. A Lisboa deste segundo quartel do século XXI está assim colocada perante o inexcusável desafio da interculturalidade.”
O homenageado recordou a sua chegada a Lisboa em 1975, proveniente do Lobito na ponta aérea dos retornados, temendo “não encontrar chão para construir uma vida e uma beleza que perdurem”.

“Que esta honra de ser cidade toque a todos os que nascem e a todos os que chegam e chegarão pela primeira vez a Lisboa e, dramaticamente, se perguntam se este é um lugar onde os sonhos persistem, se é um estaleiro possível para os seus milhões de nascimentos”, desejou.
O responsável da Cúria Romana estruturou a sua visão para a capital em torno de três “barcas” de futuro, sublinhando que a memória partilhada e o diálogo entre culturas são condições indispensáveis para combater a marginalização.
“Uma cidade é o lugar da comunidade, onde estamos juntos. A cidade desmente a solidão”, afirmou o prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação, em declarações aos jornalistas, após receber a distinção.
D. José Tolentino Mendonça destacou ainda que o “investimento na educação é a grande alavanca de humanização e de direção justa” das sociedades.
Já o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, enalteceu o percurso do teólogo e poeta, descrevendo-o como “um homem de diálogo” com uma capacidade invulgar de “agregar consensos” num tempo dominado pela polarização.
O autarca elogiou a capacidade do cardeal madeirense de “juntar as grandes perguntas às pequenas coisas, o infinito ao quotidiano, o mistério à vida concreta”.
A cerimónia reuniu responsáveis políticos, académicos e da Igreja Católica.
OC
| O cardeal Tolentino Mendonça, prefeito do Dicastério da Cultura e da Educação (Santa Sé), poeta e biblista, nasceu a 15 de dezembro de 1965, na Madeira; foi ordenado padre em 1990 e bispo a 28 de julho de 2018.
Doutorado em Teologia Bíblica, tendo desempenhado, entre outras funções, os cargos de reitor do Colégio Pontifício Português, em Roma, de diretor da Faculdade de Teologia e vice-reitor da UCP e diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura. A 26 de junho de 2018, o Papa Francisco nomeou D. José Tolentino Mendonça como arquivista do Arquivo Secreto do Vaticano e bibliotecário da Biblioteca Apostólica, elevando-o à dignidade de arcebispo; foi criado cardeal pelo mesmo Papa a 5 de outubro de 2019 e nomeado prefeito do novo Dicastério para a Cultura e a Educação no dia 26 de setembro de 2022. |
Cultura: «A comunidade é a maior obra de arte que podemos criar juntos» – D. José Tolentino Mendonça



