Cardeal Pietro Parolin rejeita ideia de se avançar por «conta própria» no desenvolvimento tecnológico

Roma, 16 set 2026 (Ecclesia) – O secretário de Estado do Vaticano exigiu regras partilhadas para o desenvolvimento da inteligência artificial e defendeu a manutenção de canais diplomáticos diretos com a Rússia.
“A minha preocupação é que há países, na realidade, que querem ir por conta própria, mas deve haver um envolvimento de todos sobre algumas regras comuns”, declarou o cardeal Pietro Parolin, esta quarta-feira, em conversa com jornalistas.
O diplomata abordou o agravamento do conflito na Ucrânia, assumindo que os resultados da ação internacional “são bastante escassos”.
D. Pietro Parolin reiterou a importância imperativa de não isolar Moscovo das negociações de paz, vincando que “só falando uns com os outros se podem encontrar soluções” para silenciar as armas.
O responsável do Vaticano rejeitou lógicas de destruição mútua e insistiu na construção de uma plataforma global capaz de assegurar uma solução diplomática onde todos “possam amadurecer no bem-estar e na prosperidade”.
As declarações aos jornalistas aconteceram à margem do congresso ‘Fé e razão na era da Inteligência Artificial’, promovido pela Câmara dos Deputados de Itália.
Na sua intervenção, citada pelo portal ‘Vatican News’, o cardeal Parolin subscreveu o recente apelo do presidente italiano, Sergio Mattarella, exigindo uma responsabilidade supranacional imediata porque o “futuro da humanidade” depende do controlo destas novas tecnologias.
A intervenção alertou que os algoritmos correm o risco de se tornarem uma “divindade devoradora” das liberdades humanas, citando a encíclica ‘Magnifica humanitas’ de Leão XIV como guia ético contra os interesses privados.
O colaborador do Papa revelou que recusa utilizar a tecnologia na preparação das suas homilias, justificando a escolha com o facto de a inteligência artificial ser “apenas cabeça e não ter coração”.
OC
Vaticano: Papa alerta para substituição da consciência humana pela inteligência artificial
