D. Manuel Clemente escreve carta na solenidade de São Vicente, padroeiro do Patriarcado

Lisboa, 22 jan 2021 (Ecclesia) – O cardeal-patriarca de Lisboa elogiou hoje a dedicação de quem combate a pandemia, numa carta por ocasião da solenidade de São Vicente, mártir, padroeiro do Patriarcado.

“No combate à pandemia, cuidadores e entidades públicas e particulares desdobram-se em atos abnegados de prevenção e tratamento da doença. E os testemunhos são muitos de que, recorrendo a todos os meios necessários e possíveis, é no mais íntimo de si mesmos que encontram força para prosseguir e responder a tantos casos”, refere D. Manuel Clemente, numa missiva enviada à Agência ECCLESIA.

O responsável católico destaca as “circunstâncias especiais” em que se vive esta data, por causa da Covid-19, rezando “pelos doentes e seus cuidadores e lembrando os muitos que, entretanto, partiram”.

A mensagem evoca a suspensão das celebrações presenciais, comunitárias e públicas, “dada a gravidade da pandemia e o grande perigo de contágios”, determinada pela Conferência Episcopal Portuguesa, destacando que “o coração não tem distância”.

“Nem por isso deixamos de estar com todos e para todos, no que a caridade tem de mais radical e salvador. Cristo estava só, no alto da sua cruz, e assim mesmo nos salvou, pela totalidade da entrega. Vicente também estava só no seu martírio e também assim o seu testemunho nos alcança e alenta”, indica D. Manuel Clemente.

Queremos estar com eles, na oração e na atuação prudente, que por isso é verdadeira. Redobraremos a criatividade para usar meios de comunicação não presencial para chegar a cada um, quer transmitindo celebrações quer por mensagens de internet ou telefone”.

A carta é acompanhada pela homilia preparada para a Missa da Solenidade de São Vicente, prevista para a Sé de Lisboa, esta tarde, e que foi cancelada por motivos de saúde pública.

O cardeal-patriarca evoca a figura do diácono da antiga Saragoça, que foi morto em Valência.

“Grandes atuações requerem fortes motivações – como a de Vicente, diácono e mártir. Não faltam os exemplos concretos de abnegação e serviço, em todas as frentes do combate à atual pandemia. É essa mesma entrega abnegada, por conhecida ou discreta que seja, que tem em si mesma a garantia da vitória. Pequenos grãos e fruto certo na nossa terra comum”, escreve D. Manuel Clemente.

O cardeal-patriarca presidiu, esta tarde, à recitação da Hora Intermédia, evocando a história de São Vicente e rezando, “neste momento tão difícil para a cidade, para o país”.

“Pedimos-lhe que essa mesma força se estenda a tantos e tantas que estão nas diversas fronteiras do combate à pandemia, na nossa cidade ou fora dela, pela vida dos outros, pelo bem de todos”, disse.

Numa cerimónia de oração que contou com a presença de Fernando Medina, presidente da Câmara de Lisboa, D. Manuel Clemente sublinhou que os mártires são reconhecidos pelos católicos como os que “deram a vida porque acreditaram e foram até ao fim”.

“Essa mesma determinação, cuja memória celebramos, é também para nós uma lição. É sobretudo nestas alturas que precisamos de nos fortalecer com aqueles testemunhos vivos de vidas que são inteiramente vividas, em torno de ideais que assim mesmo se concretizam, se exprimem e se oferecem”, apontou, numa intervenção enviada à Agência ECCLESIA.

OC

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