Organização católica fala da dificuldade em arrendar casas, com recusas de entidades e senhorios

Setúbal, 22 jan 2021 (Ecclesia) – A Cáritas Diocesana de Setúbal está a desenvolver projetos que visam a reintegração dos sem-abrigo da região, lamentando as dificuldades no arrendamento de casas para esta população, com recusas de entidades e senhorios.

“Temos dificuldade em encontrar casas, em arrendá-las, porque quando algumas entidades mediadoras ou senhorios se apercebem, sem que nós o digamos, qual é a finalidade das casas, recuam”, refere à Agência ECCLESIA Domingos Sousa, presidente da organização católica.

Sete pessoas vivem atualmente em casas arrendadas, acompanhadas pela Cáritas de Setúbal, que em dezembro assinou um acordo de cooperação com a Segurança Social, para “fazer o acompanhamento das pessoas nas suas próprias casas”, através do projeto “housing fisrt”, a “casa primeiro”.

O entrevistado reconhece o esforço do Município para ajudar neste processo, admitindo que “pessoas que viveram tantos anos na rua perderam um conjunto de hábitos, perderam sentido de estar, de alguma forma, e é preciso fazer esse acompanhamento”.

“Estamos nessa fase e creio que vai correr bem”, acrescenta Domingos Sousa.

O início do ano ficou marcado por uma vaga de frio, que levou a diocese sadina a abrir de novo o salão da sua Cúria, onde estão atualmente sete pessoas em situação de sem-abrigo.

“É uma preocupação enorme, aqui em Setúbal, e na Cáritas, em particular”, destaca o presidente da organização católica, elogiando o tabalho de convergência com a o Município, que confia à Cáritas a gestão do PISA – Núcleo de Planeamento e Intervenção Sem-abrigo.

Neste novo confinamento, algumas pessoas permanecem na rua, por opção, a quem são asseguradas as “condições mínimas” para suportar as noites frias.

Foto: Agência ECCLESIA/HM

A quem deixa as ruas, o Centro Social São Francisco Xavier propõe respostas com ateliês de fotografia, música, artes plásticas, costura e restauro, estando em preparação um novo, de hortas biológicas.

“O objetivo é mostrar às pessoas que elas têm capacidades, que estão lá, desde que lhes demos condições e tempo para virem ao de cima”, indica Domingos Sousa.

A Cáritas procura recuperar as pessoas e encaminhá-las para o mercado de trabalho, quando possível: “Fundamentalmente, o que se pretende é que as pessoas sejam capazes de retomar a sua própria vida”.

O bispo de Setúbal, D. José Ornelas, elogia o “bom trabalho de colaboração e interação” com o município e o Governo” que tem existido neste campo.

“Estamos a tentar outros caminhos, em conjugação com programas das autoridades públicas”, indica à Agência ECCLESIA.

Para o responsável, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, é fundamental promover uma cidadania plena das pessoas em situação de sem-abrigo, para que possam integrar-se na sociedade, no mundo do trabalho, e se tornem “independentes”.

Quanto à abertura da Cúria Diocesana, D. José Ornelas destaca que se trata de uma resposta de “emergência” e nunca de “futuro”, porque a solução para estas pessoas tem de ser “muito mais dignificante”.

HM/OC

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