Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares entra em vigor sem ratificação de Portugal

Cidade do Vaticano, 22 jan 2021 (Ecclesia) – O Papa assinalou hoje a entrada em vigor do Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares, com uma mensagem em favor da eliminação deste armamento.

“Encorajo fortemente todos os Estados e todas as pessoas a trabalharem com determinação para promover as condições necessárias por um mundo sem armas nucleares, contribuindo para o avanço da paz e da cooperação multilateral”, escreveu Francisco, na sua conta da rede social Twitter.

Após visitar Nagasáqui e Hiroxima, em novembro de 2019, o Papa disse que quer consagrar a proibição de uso e posse de armas nucleares no Catecismo da Igreja Católica.

“O uso das armas nucleares é imoral, por isso deve ser introduzido no Catecismo da Igreja Católica; e não somente o uso, mas também a posse, porque um acidente, ou a loucura de algum governante, a loucura de um só pode destruir a humanidade”, referiu aos jornalistas, no voo entre Tóquio e Roma, após uma viagem de sete dias à Ásia, com passagens pela Tailândia e o Japão.

O Vaticano saudou a entrada em vigor do Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares (TPAN) através de uma mensagem de D. Paul Richard Gallagher, secretário para as Relações com os Estados.

Segundo o responsável, o instrumento jurídico visa “proibir as armas nucleares de forma inequívoca, colocando-as na mesma categoria que outras armas de destruição em massa, tais como armas químicas e biológicas, já proibidas”.

“A paz e a segurança internacionais não podem ser baseadas na ameaça de destruição mútua ou aniquilação total, nem na manutenção de um equilíbrio de poder ou na regulamentação das relações substituindo ‘a força da lei’ pela ‘lei da força’”, acrescenta, em entrevista aos meios de comunicação do Vaticano.

Ratificado por 50 países e assinado por 86, o Tratado foi assinado por quase todas as nações de língua oficial portuguesa, nomeadamente Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

A Comissão Diocesana Justiça e Paz de Coimbra manifesta, em comunicado enviado à Agência ECCLESIA, “o seu júbilo pela entrada em vigor do Tratado e a sua profunda desaprovação à posição de Portugal”.

“Não compete ao nosso país assumir a defesa, ou a subserviência, perante interesses de terceiros, mas sim assumir o que lhe é imposto pela procura da Justiça e da Paz”, indica a nota.

Para o organismo católico, este tratado é “um passo gigantesco para a Humanidade” e “culmina um movimento mundial de consciencialização sobre consequências catastróficas das consequências do uso das armas nucleares com a potencial aniquilação do Homem”.

OC

Notícia atualizada às 17h10

Vaticano: Papa apela a mundo sem armas nucleares

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