Solenidade católica tem ligação à história portuguesa

Foto: Diocese do Funchal

Lisboa, 08 dez 2021 (Ecclesia) – Os bispos católicos de Portugal assinalaram hoje a solenidade da Imaculada Conceição, multiplicando apelos à transformação da sociedade.

“Temos assistido, nos últimos tempos, a um claro enfraquecimento da vida da fé. A fé da Igreja mantém-se; mas, na vida de cada cristão, parece ver-se enfraquecida a sua apropriação. O acolhimento do amor de Deus de um modo total, íntegro, parece ter-se tornado mais frágil e temeroso”, advertiu o bispo do Funchal, na homilia que proferiu na catedral madeirense.

D. Nuno Brás sublinhou que muitos “colocam em causa os próprios alicerces da fé” ou “vivem sem qualquer referência à fé”.

“Afirmam a opinião pessoal, subjetiva, querendo impô-la a toda a Igreja, não raras vezes para justificar as escolhas erradas que realizaram (ou foram levados a realizar) na sua vida”, indicou, numa intervenção enviada à Agência ECCLESIA.

Já o patriarca de Lisboa apresentou a figura da Virgem Maria como um exemplo para os católicos, referindo que “um coração imaculado é um coração sem fronteiras”.

“Maria aceita-nos, para nos ensinar a cumprir a vontade recriadora de Deus. Assim continuará Cristo a salvar o mundo. O grande mundo onde havemos de caber todos, sem que nada impeça a plena realização de cada um, pessoa ou povo que seja”, disse D. Manuel Clemente.

No santuário nacional de Vila Viçosa, Arquidiocese de Évora, D. Rui Valério, bispo das Forças Armadas e de Segurança, presidiu esta tarde à procissão em honra da Imaculada Conceição, padroeira de Portugal, e à Eucaristia.

O responsável falou de um tempo em que “o medo está novamente a despontar como determinante”.

“Se o resultado do não temor foi uma sociedade e uma cultura cheias de enormes e significativos valores e feitos civilizacionais, sejam cristãos, sejam humanistas, é caso para nos perguntarmos: ‘que sociedade e que cultura advirão das sementes do medo e do receio?’”, questionou, numa homilia enviada à Agência ECCLESIA.

D. António Luciano, bispo de Viseu, recordou por sua vez as vítimas da pandemia de Covid-19, rezando pela diocese e pelo país.

“Entreguemos a São José e à sua Esposa fiel, a Virgem Puríssima os grandes problemas sociais, sanitários, económicos e laborais do nosso mundo. Apresentemos-Lhe os grandes desafios da pobreza, da ecologia e da Igreja, todas as dificuldades do nosso tempo para que não sejam esquecidas”, afirmou, na catedral diocesana.

Em Santarém, D. José Traquina alertou para a “tentação de ocupar o lugar de Deus”.

“A recusa de Deus, da fraternidade humana e da justiça no mundo, tem provocado grandes males contra a natureza criada, o planeta Terra, e contra a vida de milhões de pessoas. O ser humano, no uso da sua liberdade, está sujeito ao pecado mas não está condenado a viver em pecado. Tem remédio, pela obra de Deus realizada em Cristo e o resultado é o que hoje celebramos: Maria é a Mulher fiel e está na origem da iniciativa divina em salvar a sua criatura mais excelente: a pessoa humana”, declarou o responsável.

OC

Imaculada Conceição: Solenidade religiosa que evoca a História de Portugal

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