Igreja/Turismo: Jornadas alertam para importância de preservar memória histórica

Painel com representantes do setor destacou papel centrar dos mediadores humanos

Foto Agência ECCLESIA/Jornada da Pastoral do Turismo

Almada, 13 fev 2026 (Ecclesia) – A Pastoral do Turismo – Portugal (PTP) promoveu hoje, nas suas VI Jornadas Nacionais, em Almada, um debate centrado na “amizade social”, onde especialistas destacaram a urgência da mediação humana e da preservação da verdade histórica.

Isaac Assor, representante da Comunidade Judaica em Portugal, sublinhou a necessidade de “contar a verdadeira história de tudo o que é a presença judaica em Portugal”, combatendo a repetição de “fantasias” que ignoram o contexto real.

O responsável, com experiência na organização de viagens culturais, lamentou o desaparecimento do “património humano, ou seja, das pessoas que contam a história”.

“O turismo tem que ser um turismo que preserve e cultive a memória”, apelou Isaac Assor durante o painel inaugural.

O encontro, que decorre no Santuário de Cristo Rei, em Almada, sob o tema ‘A esperança de uma maior sustentabilidade’, reúne responsáveis eclesiais e governantes para refletir sobre a identidade do setor e os desafios da era digital.

A diretora do Museu de Arte Sacra do Funchal, Graça Alves, defendeu a missão das instituições como uma “mediação entre os turistas, os visitantes” e o património, procurando que o público vá além da estética.

“Gostaríamos que eles se confrontassem com outra experiência, esta sede do sagrado”, referiu a responsável, descrevendo o espólio como um “tesouro” que acompanha a história da Madeira.

Para Graça Alves, as visitas devem promover um olhar sobre a função original das peças, criadas para “servir o sagrado”, garantindo a “mediação entre a cultura e o sagrado”.

O guia-intérprete Luís Gaivão definiu o seu papel profissional como um “entregador” que funciona como “ponte entre culturas”.

Ao abordar os desafios tecnológicos, o orador relativizou o impacto da inteligência artificial, insistindo que o turismo “é uma atividade de pessoa para pessoa, de uma pessoa que experimenta para uma pessoa que está a experimentar”.

Luís Gaivão alertou ainda para a escassez de “ofertas de formação” específicas na área do património religioso, notando a ausência de uma “base religiosa” em muitos profissionais e alunos.

O painel “Diálogo e amizade social”, moderado por Teresa Ferreira, do Turismo de Portugal, contou também com a participação de João Pedro, em representação da comunidade ecuménica de Taizé.

O orador apresentou a comunidade em França como uma “parábola de comunhão” e destacou a centralidade do “silêncio” na proposta de acolhimento oferecida aos jovens e visitantes de todo o mundo.

O programa das VI Jornadas Nacionais prossegue durante a tarde com o debate sobre “A ilusão da comunicação” e o painel “A Esperança: Experiência imersiva de turismo religioso”.

OC

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