D. Nuno Brás escreveu mensagem quaresmal, mostrando-se solidário com todos aqueles que foram atingidos pelo mau tempo

Funchal, Madeira, 13 fev 2026 (Ecclesia) – O bispo do Funchal evocou hoje as populações afetadas pelas tempestades que nas últimas semanas atingiram Portugal continental e anunciou o destino da renúncia quaresmal.
Na mensagem para a Quaresma, D. Nuno Brás recorda que este período litúrgico, “como sempre, será um tempo de exercícios espirituais mais intensos”, de modo à preparação da Páscoa, e que, este ano, a Diocese vai fazê-lo “acompanhando o sofrimento de tantos portugueses que viram os seus bens destruídos e a sua vida em perigo por causa das catástrofes naturais”.
“Somos solidários com eles”, escreveu o bispo diocesano, no texto enviado à Agência ECCLESIA.
“Ao mesmo tempo, não podemos deixar de meditar sobre a nossa fragilidade como seres humanos”, salienta.
D. Nuno Brás assinala que, “por vezes, a técnica e a ciência” fazem os seres humanos pensar que são “indestrutíveis, eternos, omnipotentes”, contudo “basta um vírus ou um ciclone, cheias ou fogo, ou, simplesmente, um acidente fruto do acaso, e tudo se desmorona”.
“Quem somos nós, seres humanos, que sabemos tantas coisas, podemos transformar tantas outras a nosso favor, mas não somos donos da nossa vida?”, questionou.
Segundo o bispo diocesano, a “fé responde a esta questão”.
“Somos alguém a quem Deus ama; somos alguém por quem o próprio Deus não hesitou em sofrer a morte para nos dar a participar da sua vida eterna”, destacou.
Para D. Nuno Brás, “criar um coração disponível para acolher o amor de Deus por cada um e por todos” é “o grande objetivo da Quaresma”.

Na mensagem, o bispo divulgou que os fundos angariados esta Quaresma na diocese serão para os afetados pelo temporal no país.
“A nossa renúncia quaresmal será dirigida para a Cáritas Portuguesa, de modo a que possa ajudar aqueles que foram atingidos pelas recentes catástrofes no Continente”, indicou.
De acordo com a Lusa, a passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta por Portugal – e as inundações e cheias que as acompanharam – causaram 16 mortos e muitas centenas de feridos e desalojados.
Além disso, as tempestades causaram a destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte e o corte de energia, água e comunicações.
A Quaresma, que se inicia a 18 de fevereiro, com a celebração de Cinzas, é um tempo litúrgico de 40 dias (a contagem exclui os domingos), marcado por apelos ao jejum, partilha e penitência; serve de preparação para a Páscoa, a principal festa do calendário cristão (5 de abril, em 2026).
A renúncia quaresmal é uma prática em que os fiéis abdicam da compra de bens adquiridos habitualmente noutras épocas do ano, reservando o dinheiro para finalidades especificadas pelo bispo da sua diocese.
LJ/OC
