Responsáveis católicos e especialistas sublinham oportunidades do setor, com reflexão sobre «sustentabilidade» em várias dimensões

Almada, 13 fev 2026 (Ecclesia) – O arcebispo italiano Rino Fisichella, pró-prefeito do Dicastério para a Evangelização (Santa Sé), defendeu hoje que o turismo deve ser um espaço de encontro e diálogo, associando-se às jornadas de pastoral promovidas pela Igreja Católica em Portugal.
“O turismo, quando vivido como responsabilidade e espírito da fraternidade, pode tornar-se um espaço privilegiado de encontro, de diálogo e da verdadeira amizade social. É uma oportunidade concreta para redescobrir a dignidade das pessoas, o valor das comunidades locais e o cuidado da criação”, indicou o colaborador do Papa, numa mensagem em vídeo.
A Pastoral do Turismo – Portugal (PTP) promove entre hoje e amanhã as suas VI Jornadas Nacionais no Santuário de Cristo Rei, em Almada, reunindo responsáveis eclesiais, governantes e especialistas para debater a “amizade social” e os desafios da comunicação na era digital.
O pró-prefeito do Dicastério para a Evangelização evocou o ensinamento do Papa Francisco na encíclica ‘Fratelli Tutti’, que inspira os trabalhos.
“Num tempo marcado por profundas transformações, a Pastoral do Turismo é chamada a oferecer um olhar evangélico capaz de unir acolhimento, sustentabilidade e testemunho cristão”, declarou D. Rino Fisichella.
A sessão de abertura das jornadas contou com a presença de D. Américo Aguiar, bispo de Setúbal, que o turismo seja um “instrumento de paz”, permitindo que todos se descubram como “irmãos”.
“A Igreja deseja que o turismo sirva como oportunidade para que alguns entrem como turistas e saiam como peregrinos, em muitos espaços”, e que as pessoas tenham “oportunidade de se questionar”, acrescentou o cardeal português.
D. José Traquina, presidente da Comissão da Pastoral Social e Mobilidade Humana da CEP, falou do turismo como uma experiência que “leva a descobrir novos amigos” e de ir ao encontro do património natural e artístico.
“É uma grande oportunidade de humanização e de enriquecimento pessoal”, destacou o bispo de Santarém.


D. Manuel Quintas, bispo do Algarve, abordou a importância de integrar a dimensão do turismo na vida pastoral da diocese.
“Não é um fenómeno do qual nos possamos alhear”, advertiu.
Ivan Gonçalves, vereador da Câmara Municipal de Almada, destacou a importância de “facilitadores” no trabalho de promoção da região.
O padre Miguel Neto, diretor da PTP, assinalou o impacto do “cenário de catástrofe” que se vive no país, destacando que o programa quer colocar em debate a questão da “sustentabilidade”, para lá da dimensão económica.
“Há uma sustentabilidade social, ecológica, cultural”, precisou, apelando à “integração” dos imigrantes que trabalhem no setor.
O programa propõe uma reflexão sobre a identidade do turismo religioso, em volta do tema ‘A esperança de uma maior sustentabilidade’.
Após a conferência de abertura, a cargo de João Filipe Marques (CinTours e CIAC/UAlg), os trabalhos prosseguem com o painel “Diálogo e amizade social”.
A tarde será marcada pelo debate sobre “A ilusão da comunicação”, antes do painel “A Esperança: Experiência imersiva de turismo religioso”.
OC
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