Responsável para o diálogo Ciência-Fé  do Conselho Pontifício da Cultura esteve em Lisboa

Lisboa, 30 mai 2018 (Ecclesia) – O diretor do Departamento de Ciência e Fé do Conselho Pontifício da Cultura (CPC), da Santa Sé, defendeu hoje a necessidade de participação da Igreja Católica no “debate global” sobre temas como a realidade virtual.

“Muitas vezes existe a ideia de que a Igreja Católica apenas responde quando já não há nada a fazer”, observou, em declarações à Agência ECCLESIA.

Monsenhor Tomasz Trafny participou no sexto encontro de Realidade Aumentada (RALI – Realidade Aumentada em Lisboa), na Microsoft Portugal.

O responsável falou nas “aplicações praticamente infinitas” da realidade virtual, que geram uma mudança de fundo na relação e “perceção” da própria realidade, sobretudo nas novas gerações.

Um tema, acrescenta, que levanta questões éticas, antropológicas, de segurança e culturais às quais a Igreja Católica quer ajudar a responder.

“Basta pensar no fator do isolamento, da alienação”, advertiu, assinalando ainda a “delicada questão” da autonomia no uso destas tecnologias.

O diretor do Departamento de Ciência e Fé do CPC descreve como missão prioritária do trabalho da Santa Sé neste campo passar por entender “quais são as consequências antropológicas, culturais”.

Monsenhor Tomasz Trafny assume ainda a importância de “abrir portas” à comunidade científica, na Igreja Católica, superando “mitos e preconceitos”.

“Não há oposição entre investigação científica e fé”, sustenta.

Um dos âmbitos privilegiados do trabalho do diretor do Departamento de Ciência e Fé do CPC é a área da biotecnologia, procurando promover “um diálogo positivo” e encorajando quem leva a cabo “uma investigação ética”.

“Muitas vezes pensa-se que a investigação com células estaminais significa o uso de células estaminais embrionárias, mas não é verdade”, exemplifica.

Monsenhor Tomasz Trafny observa que há muitas culturas no mundo que “não partilha a sensibilidade ética” cristã, perante as quais propõe uma “troca de sensibilidades” para aprofundar temas “delicados”.

“É importante ser parte de uma discussão que define percursos culturais, sociais, e também investimentos de negócio”, relaça.

O representante do Vaticano integrou o painel sobre ‘O impacto da Realidade Aumentada na Cultura e no Homem’, no 6.º RALI.

O evento, promovido pela NextReality, empresa do IT People Group dedicada à transformação digital através de Realidade Aumentada e Realidade Virtual, apresenta-se como “palco de debate e demonstração do que melhor se faz em Portugal nesta área”.

“É um privilégio ter a oportunidade de alargar o debate no RALI e ouvir quem pensa a transformação da nossa cultura e para onde caminha o Homem”, refere Luis Bravo Martins, do IT People Group, em comunicado enviado à Agência ECCLESIA

OC

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