Igreja/Abusos: Papa defende espaços seguros para as populações mais vulneráveis

Leão XIV recebeu responsáveis da América Latina, empenhados na proteção de menores

Foto: Vatican Media

Cidade do Vaticano, 17 jun 2026 (Ecclesia) – O Papa exigiu hoje, no Vaticano, a eliminação da violência na Igreja Católica, apelando à criação de ambientes de proteção imediatos para as populações vulneráveis.

“Temos muito claro um objetivo comum: trabalhar para que as comunidades eclesiais sejam lugares seguros para todos, especialmente as crianças, os adolescentes e as pessoas mais vulneráveis”, apontou Leão XIV, durante a audiência ao Centro de Investigação e Formação de Proteção de Menores, que atua em vários países da América Latina.

O pontífice avisou que as agressões causam exatamente o oposto do encontro com Cristo, “provocando heranças traumáticas que condicionam e alteram o desenvolvimento espiritual e humano da pessoa”.

“A comunidade eclesial está chamada a responder com a escuta, a verdade, a justiça, a reparação e um compromisso cada vez mais acertado na prevenção e na cultura do cuidado”, defendeu o Papa, recordando a dor dos sobreviventes com quem esteve na recente viagem a Espanha.

Leão XIV encorajou os profissionais a fortalecerem as redes de colaboração civil para garantir que os espaços institucionais sejam “verdadeiramente lugares de encontro fecundo com Jesus Cristo, livres de medos, suspeitas ou desconfianças”.

Esta terça-feira, encerrou-se o primeiro encontro presencial, em Roma, da Comissão Pontifícia para a Proteção dos Menores e da organização internacional ‘Fim do Abuso Clerical’, onde se debateu o direito das vítimas à “verdade, justiça e reparação”.

A escuta institucional de quem sofreu os crimes tem de se traduzir num “exercício ativo com resultados concretos para ser credível”, alertou o presidente da Comissão do Vaticano, D. Thibault Verny.

Já as vítimas de abusos pediram uma política global de “tolerância zero”, garantindo o afastamento permanente do ministério dos membros do clero com infrações comprovadas.

Os trabalhos assinalaram ainda a necessidade de alargar as salvaguardas de proteção a adultos em situação de fragilidade, como religiosas, padres, seminaristas e membros de movimentos laicais.

OC

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