Leão XIV lamentou dinheiro que «é desperdiçado para matar» num «momento sombrio da história»

Cidade do Vaticano, 18 jun 2026 (Ecclesia) – O Papa Leão XIV alertou hoje para a “instabilidade” que esgota “a força vital das Igrejas Orientais” causada pela “guerra”, na audiência aos participantes da 99ª Assembleia Plenária da ROACO, no Vaticano.
“Como poderíamos deixar de pensar no doloroso êxodo dos cristãos do oriente das suas terras, causado sobretudo pela guerra — que não resolve problemas, mas cria tragédias, tragédias que muitas vezes são relegadas ao esquecimento?”, disse Leão XIV, no discurso proferido, esta quinta-feira, 18 de junho, publicado na sala de imprensa da Santa Sé.
Na audiência a um grupo de 100 pessoas, participantes da 99ª Assembleia Plenária da ROACO (Encontro de Agências de Ajuda para as Igrejas Orientais), o Papa afirmou que “há uma praga, um flagelo nascido da guerra” que continua a “esgotar a força vital das Igrejas Orientais em particular”, que definiu com a palavra “instabilidade”.
“Essas sociedades são enfraquecidas pela instabilidade das instituições, pela presença de grupos armados que se dividem no território, por uma política condicionada e, não raras as vezes, manipulado por agentes e interesses externos. Esse sistema não atua livremente, mas debate-se entre mil artimanhas, acordos secretos e interesses partidários”, exemplificou.
O Papa acrescentou que o medo e a insegurança acabam por dominar esses lugares, o que se reflete em trabalho precário, pagamento irregular de salários, e setores como saúde e educação instáveis, e indicou que quem sofre diretamente são as pessoas comuns, as famílias, crianças e jovens, idosos e doentes, e “torna-se um drama que pesa no coração de todos, devora a esperança e impede a construção do futuro, favorecendo a compulsão de partir”.
Aos participantes da Assembleia Plenária da ROACO Leão XIV afirmou que olha para eles e pensa “no serviço silencioso e benéfico que prestam”, e nos benfeitores que através do Encontro de Agências de Ajuda para as Igrejas Orientais “destinam recursos a quem precisa”.
“Não posso deixar de pensar em quanto dinheiro, neste momento sombrio da história, é desperdiçado para matar, desperdiçado por tantos que fomentam as guerras. Enquanto vocês geram vida, eles semeiam morte; enquanto vocês estendem a mão ao irmão, eles procuram inimigos para esmagar; enquanto vocês criam diálogos, eles buscam monólogos; enquanto vocês abrem caminhos de esperança, eles aprisionam os povos no medo; enquanto vocês constroem futuro, eles destroem o presente.”
No final do discurso, o Papa fez um apelo à reflexão sobre “as consequências da guerra e da precariedade”, e para a sua prevenção “com inteligência e responsabilidade”, porque “é fruto de escolhas livres, de responsabilidades moralmente imputáveis”.
“A história demonstra como as tramas da violência e da prepotência, do poder e do domínio, dos ganhos obtidos sem justiça e sem escrúpulos, se voltam não apenas contra quem as sofre, mas também contra quem as pratica. Rezemos a Jesus, Senhor da paz, e exortemos às consciências das pessoas para que sejam sensíveis à indignação; e que o respeito pela humanidade e o devido sentido de civilização sejam restaurados”, pediu Leão XIV.
O Dicastério para as Igrejas Orientais da Santa Sé informou que a 99.ª Assembleia Plenária da ROACO, que termina hoje, começou na tarde desta segunda-feira, 15 de junho, com o tema central da formação dos clérigos e monges orientais, com o objetivo de aprofundar o conhecimento das diferentes tradições eclesiais e promover a vitalidade, na Sala de Congressos do Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos.
O Papa assinalou que “todas as antigas Igrejas do Oriente remetem às origens da fé”, e destacou “liturgias repletas de sacralidade”, que testemunham “o poder da oração de intercessão, oferecem conteúdos espirituais que enchem o coração”.
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