Investigadora universitária integra a equipa da Comissão de Proteção de Menores do Patriarcado de Lisboa

Lisboa, 16 jun 2020 (Ecclesia) – A psicóloga Rute Agulhas, que integra a equipa da Comissão de Proteção de Menores do Patriarcado de Lisboa, disse à Agência ECCLESIA que a “prevenção primária” é “o caminho principal” a percorrer, na área do abuso sexual de crianças e jovens.

“Falamos de prevenção primária quando agimos juntos de uma população e de uma comunidade, de um grupo de pessoas, que não tendo ainda o problema vamos tentar desenvolver competências nas crianças, nos jovens, mas também nos adultos que lhes estão mais perto para conseguirem perceber o que poderá ser uma possível situação e risco e para saberem lidar com essa situação”, indicou.

A investigadora no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa explica que, na prevenção primária, se usam “materiais lúdicos” que têm “dois grandes objetivos”: “Aaumentar os conhecimentos não só das crianças mas dos adultos que manipulam e que jogam com as crianças – o que é isto do abuso sexual, quem é que pode ser o agressor ou agressora – e é aumentar competências para saber lidar com estas situações”.

No programa ECCLESIA, que vai se transmitido esta noite, pelas 22h45 na Antena 1 da rádio pública, a entrevistada adianta que a ideia é “desmontar a ideia” que o abuso pode ser cometido “apenas por um estranho” e que estratégias é que as crianças podem utilizar, “o que é que é adequado e o que é que não é adequado em termos de toques, de segredos”.

“Elas têm que ter algumas ferramentas para saberem quando é que podem dizer não, em que situações é que podem e devem dizer não, mas mais importante ainda a quem é que podem pedir ajuda e como é que podem pedir essa ajuda”, desenvolveu.

O cardeal-patriarca de Lisboa criou a Comissão para a Proteção de Menores na diocese, no dia 2 de abril de 2019; é coordenada pelo bispo auxiliar D. Américo Aguiar e composta por especialistas nas áreas de “psicologia, psiquiatria, justiça civil e canónica e comunicação social”.

Segundo a psicóloga Rute Agulhas, a comissão “não vai fazer o trabalho da polícia, nem substituir-se ao tribunal” mas é “uma porta de entrada para possíveis pedidos de ajuda, para possíveis sinalizações” que venham deste universo da Igreja.

“Se estas estruturas são sentidas como próximas, cria-se um laço de confiança e uma facilidade em pedir ajuda. Pretende-se ser uma porta de entrada de acolhimento. Uma estrutura de proximidade que as pessoas sintam que podem confiar, que acolheremos a situação e daremos o melhor encaminhamento possível”, desenvolveu.

A Comissão para a Proteção de Menores, para a psicóloga e investigadora, tem um “papel muitíssimo relevante” porque estão a “entrar não só num universo que tem séculos de muito tabu, não é só a Igreja que tem deste secretismo”, e que “felizmente” o Papa Francisco “em bom tempo e em boa hora” fez abrir caminho.

Já a presidente da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens (afirma que o Papa Francisco “tem sido uma inspiração para todos, católicos e não católicos” e destaca o seu exemplo, “a sua coragem de tocar num tema que é incómodo para todos, não só dentro da Igreja Católica”.

“O ser capaz de tocar na ferida e de dizer que não podem acontecer e encontrar mecanismos de monitorização é de coragem extrema e de uma enorme humildade: Por reconhecer que existe, isso é um passo de gigante porque temos todos uma enorme tendência de fazer que não existe para ver se o problema passa. Cada criança tem direito ao seu corpo, há sua dignidade, à sua privacidade, e tem o direito a não ser abusado e poder denunciar essa situação”, desenvolveu Rosário Farmhouse, no programa radiofónico ECCLESIA que esta semana é dedicado ao tema da proteção de crianças e adolescentes.

PR/LS/CB/OC

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