Igreja/Sociedade: Festas do Divino Espírito Santo em Alenquer renovam-se com acolhimento de imigrantes

Vereadora da Cultura do Município, Cláudia Luís, explica que edição de 2026 será «menos exuberante», dadas contenções financeiras provocadas pela tempestades Kristin, mas que solidariedade e partilha, que marca a Festa, «faz agora mais sentido»

Foto: alenquerterradoespiritosanto.pt/

Alenquer, 10 abr 2026 (Ecclesia) – A vereadora da cultura do município de Alenquer disse hoje que a solidariedade, própria das Festas do Divino Espírito Santo, está mais vincada, após estragos provocados pela tempestade Kristin, e que a tradição está a adaptar-se aos imigrantes.

“Vivemos tempos de mudança que faz com que venham para o território novas pessoas, quer do estrangeiro, como de dentro do país. O grande desafio é fazer com que essas pessoas se juntem a nós, construam e sintam a comunidade, e se identifiquem com a identidade desta comunidade”, indica Cláudia Luís à Agência ECCLESIA.

A responsável dá conta do “desafio” lançado a toda a comunidade de Alenquer para envolver toda a população nas festas do Divino Espirito santo, que tiveram início no Domingo de Páscoa, a 5 de abril, e se estendem até à celebração do Pentecostes, a 24 de maio.

“É importante desafiar aqueles que vêm morar para as nossas comunidades, que não sentem identificados, a que se juntem às festas, contribuam para elas, de forma a dar continuidade robusta e que seja uma marca identitária da comunidade”, traduz.

Cláudia Luís dá conta que o concelho de Alenquer, dada a sua geografia rural e a localização próxima de Lisboa, tem sido destino de famílias que escolhem o concelho para viver.

As Festas do Divino Espirito Santo nasceram em Alenquer, em 1321, instituídas pela Rainha Santa Isabel e D. DinisPente, sendo a vila considerada o ‘berço’ desta tradição com mais de 700 anos, que foi interrompida – “o último registo das festas que temos é de 1945, até que foram retomadas em 2007” – e acontecem nos sete localidades do concelho – Abrigada, Aldeia Galega da Merceana, Alenquer, Cabanas de Torres, Carregado, Carnota e Ota.

O concelho foi afetado pelas tempestades Kristin e Leonardo, no final de janeiro, factos que segunda a vereadora da cultura demostraram a solidariedade recebida mas leva a organização das Festas a “alguma contenção”.

“Temos uns prejuízos muito significativos e precisamos de ajudar as nossas pessoas. Diria que as festas vão ser, este ano, menos exuberantes, mantendo a sua essência, com os tapetes de flores em algumas ruas e com o Bodo, não o terceirense. De qualquer forma não abrimos mão de fazer as nossas festas porque efetivamente mais do que nunca elas fazem sentido este ano, com a partilha, a solidariedade e a fraternidade”, regista.

Cláudia Luís indica que a cada domingo, numa celebração eucarística, são entronizadas as insígnias – bandeira, o estandarte e uma “pequena relíquia da rainha Santa Isabel”, marcando o calendário até ao domingo de Pentecostes.

“Todos os domingos, após a celebração, acontece a procissão e de bodo, onde se partilha, a sopa de carnes, o pão, o vinho e os tremoços”, explica.

Em 2016, o município participou na realização do Congresso do Espírito santo, e a responsável nota a necessidade de atualizar a reflexão sobre o tema, com a organização de novo encontro.

“É necessário voltar a congregar aqueles que se interessam por este tema, produzir reflexão, até porque desde 2016 novas geminações aconteceram. Tenho encontrado muitas pessoas que fizeram parte do congresso de 2016 que sentem também esta necessidade de nos voltarmos a juntar em torno desta temática”, indica.

Outro projeto que o município de Alenquer sustém é de avançar para a criação de uma Rede Mundial das Cidades do Espírito Santo, uma iniciativa que a pandemia obrigou a parar, mas que Cláudia Luís revela ser essencial.

“Está provado que o trabalho em rede é mais profícuo e, se assim for, podemos todos dar mais sustentabilidade às festas e dignificá-las mais não só em Alenquer mas também nos Açores, Estados Unidos da América, no Brasil, no Havai, nos locais onde as comunidades portuguesas se fazem sentir”, valoriza.

A vereadora da Cultura foca o viver comunitário que as Festas adquirem: “As festas têm a sua componente religiosa, mas também profana, cultural e social. São identitárias de um povo e uma forma de se construir comunidade”.

As festas do Divino Espírito Santo em Alenquer estão geminadas com cidades de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, e em Vila do Porto, na ilha de Santa Maria, no arquipélago dos Açores.

A conversa com a vereadora da Cultura do município de Alenquer, Cláudia Luís, vai ser emitida no programa de rádio da ECCLESA, com emissão na Antena 1, sábado, pelas 6h.

LS

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