Igreja/Sociedade: Cáritas Portuguesa celebra semana nacional em solidariedade e alertas para a pobreza

«Onde há uma fragilidade, onde há uma vulnerabilidade, aí está a Cáritas», afirma Márcia Carvalho

Lisboa, 27 fev 2026 (Ecclesia) – A Cáritas Portuguesa vai celebrar a sua semana nacional 2026, de 1 a 8 de março, marcada pelos impactos das tempestades no território, e destaca o peditório público e a apresentação do relatório ‘Pobreza e Exclusão Social’

“A partir do tema que nos marca, ‘o amor que transforma’, parece-me que a melhor abordagem que temos é olhar para esta transformação que as tempestades trouxeram para algum do tecido social em Portugal, e que provavelmente ainda vamos ter que compreender mais para a frente, é mesmo o amor”, disse Márcia Carvalho, da coordenação da Cáritas Portuguesa, esta sexta-feira, à Agência ECCLESIA.

Há um mês, a passagem da depressão Kristin por Portugal causou vários mortos, feridos, desalojados, e um rasto de destruição; os distritos mais afetados foram Leiria, por onde a depressão entrou no território continental, Coimbra, Santarém e Lisboa, mas também foram atingidas as dioceses portuguesas de Évora, Setúbal, Leiria-Fátima, Portalegre-Castelo Branco.

“Costumamos dizer que onde há uma fragilidade, onde há uma vulnerabilidade, aí está a Cáritas. E a Cáritas não podia nunca deixar de estar, neste caso, num contexto de emergência, mas, vai sempre para além da emergência, salientou Márcia Carvalho, sobre uma presença constante, que traz a “relação de esperança”.

O presidente da Cáritas Diocesana de Setúbal conta que vê “a Cáritas como a Cruz Vermelha da Igreja Católica”, atuam “em várias partes do mundo”, na guerra da Ucrânia, em Gaza (Palestina), “é emergência”, e, depois, têm de “atuar para além da emergência”.

Paulo Cruz esteve no terreno, nomeadamente em Leiria, onde conhece “bem o tecido empresarial”, e adianta que em Leiria, na Marinha Grande, “vai demorar meses até algumas pessoas voltarem ao seu emprego”, lembra que “ainda hoje há pessoas sem água e luz”, e alerta que este tema “já começa a entrar no esquecimento”.

Na Semana Nacional 2026, a Cáritas Portuguesa apresenta o terceiro relatório anual ‘Pobreza e Exclusão Social’, para perceberem “qual é a realidade efetiva do país”, no dia 4 de março, pelas 10h00, no Espaço Atmosfera M, em Lisboa.

“Não se pode dizer que não haja algumas mudanças pela positiva. O que acontece é que são muito lentas e pouco significativas, e isso faz com que haja ainda um número muito alto e importante de pessoas em situação de pobreza”, adiantou Márcia Carvalho, no Programa ECCLESIA, desta sexta-feira, na RTP2, onde comentaram o Evangelho que vai ser lido nas Missas, este domingo, 1 de março.

Para Paulo Cruz, os dados que vão apresentar “eram fundamentais” para todos os municípios, para todos os políticos, porque “é um trabalho muito bem estruturado e fundamentado”, e não podem não “olhar para estas coisas em concreto, e começar a ter outra visão estratégica para o país”, para além do “assistencialismo”.

Foto: Cáritas Portuguesa

A Cáritas Portuguesa fez um levantamento da caracterização da sua rede, durante os dois últimos anos 2024 e 2025, e acompanha cerca de 25 mil pessoas mensalmente, “por todos os projetos, respostas sociais e atividades” da infância aos, idosos.

Esta rede solidária da Igreja Católica em Portugal realiza nesta semana um peditório público que, segundo Márcia Carvalho, “numa linguagem moderna, se chama o face-to-face (cara a cara)”, é uma forma de irem “para a rua”, dizer às pessoas que precisam de “ajuda,” que é uma “oportunidade para que cada um se comprometa com esta atividade, em nome de toda a sociedade”.

Segundo Paulo Cruz, o peditório de rua tem “um peso muito grande” na Cáritas Diocesana de Setúbal e nas 20 Cáritas Diocesanas, porque “vai permitir ajudar as famílias, ou as pessoas mais vulneráveis, situações concretas”.

A Cáritas Portuguesa celebra o seu dia nacional no 3.º domingo da Quaresma, este ano a 8 de março.

LS/CB/PR

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