Cónego Hélder Fonseca Mendes constata também menor interesse quando o assunto é mais distante da realidade local

Angra do Heroísmo, Açores, 14 jan 2022 (Ecclesia) – O administrador diocesano de Angra assinalou a “dificuldade” da Igreja em reunir assembleias alargadas, mobilizar pessoas para além da realidade local, após um périplo de encontros, maioritariamente com o clero, pelas nove ilhas do arquipélago dos Açores.

“Vejo algumas dificuldades que decorrem não só da vida da Igreja mas da vida social. Essa tendência, que vem da sociedade civil de encontrar voluntários para assumir corpos intermédios de direção nas instituições, de um voluntariado que se comprometa verdadeiramente, é a mesma dificuldade que encontramos na Igreja”, disse o cónego Hélder Fonseca Mendes ao portal ‘Igreja Açores’.

O administrador diocesano de Angra acrescentou que hoje têm “dificuldade” em reunir as assembleias alargadas, e explicou que é “cada vez mais difícil” promover ou convocar assembleias e reuniões “garantindo a presença, a participação e a adesão das pessoas”.

Neste contexto, o sacerdote exemplificou que se é um assunto da paróquia ou da vila “há mais interesse” e a “indiferença” aumenta quanto mais distante é o tema.

“Do ponto de vista da Caminhada Sinodal, ou do programa pastoral diocesano, isso também se reflete, agravado pela dificuldade da pandemia, desde março de 2020”, indicou.

O cónego Hélder Fonseca Mendes assinalou que “não há Igreja sem esta dimensão comunitária” e este “é o desafio” que têm pela frente.

O administrador diocesano de Angra, que tomou posse a 30 de novembro, realizou um périplo pelas nove ilhas dos Açores, onde reuniu principalmente com o clero, e fez um “balanço positivo” das “realidades diferentes, com problemas diferentes”.

“Vejo que é uma medida favorável de descentrar, de estar próximo e presente, saber das pessoas e das suas dificuldades. O bem da Igreja também é o bem dos padres porque são importantíssimos para a construção e a vida das comunidades”, desenvolveu.

O cónego Hélder Fonseca Mendes destacou que foi “muito enriquecedor” estar com todos os padres e com alguns leigos, uma vez que em alguns sítios também se encontrou com “organizações da sociedade civil, como Misericórdias, câmaras municipais ou até escolas”.

O portal diocesano ‘Igreja Açores’ informa que estão previstos momentos de aprofundamento espiritual para o clero, como o retiro no final deste mês e na primeira semana de fevereiro, recoleções, e uma formação na área da educação, prevenção e acompanhamento das eventuais vítimas de abusos, a partir de março.

CB/OC

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