Em entrevista à Agência ECCLESIA por ocasião do Dia de Santo Inácio, 31 de julho, padre António Valério refere-se também à tolerância zero no tema dos abusos como «uma linha onde não se toca»
Lisboa, 30 jul 2026 (Ecclesia) – O provincial da Companhia de Jesus em Portugal afirma que a mudança do centro da Igreja para “vai acentuar-se nos próximos anos” e pode estar na origem de uma nova vitalidade no catolicismo
“É uma tendência demográfica que se vai acentuar nos próximos anos e, por isso, o centro da Igreja está claramente a passar do hemisfério norte para o hemisfério sul”, afirmou o padre António Valério em entrevista à Agência ECCLESIA
Referindo-se a uma experiência nos jesuítas, a Congregação de Procuradores, o superior provincial da Companhia de Jesus em Portugal disse que “se percebe a mudança de geografia”, pelo aumento do número de pessoas que vêm do Oriente e a diminuição das pessoas que vêm do Ocidente, nomeadamente da Europa”.
O padre António Valério referiu-se também ao dinamismo das igrejas em países onde há perseguição por causa da religião, que se reflete no número de vocações ao sacerdócio e à Vida Consagrada.
“Os países onde há mais vocações são os países onde a Igreja é perseguida e, por isso, estas vocações nascem em meios mais pobres, perseguidos, onde a Igreja é uma minoria, e o que isto pode trazer também de muita vitalidade e uma visão muito diferente”, afirmou.
O provincial português dos Jesuítas considera que a Igreja institucional ocidental “tem o seu tempo”, mas há um crescimento a acontecer numa nova geografia, que pode “ser uma bênção”
“Criará certamente a sua necessidade de diálogo, porque são paradigmas diferentes, mas há disponibilidade para acolher e para integrar uma nova forma de ver a missão da Igreja”, afirmou.
O padre António Valério tomou posse como provincial da Companhia de Jesus em Portugal no dia 28 de junho, sucedendo ao padre Miguel Almeida.
O padre António Valério referiu-se também ao trabalho que a congregação desenvolve no âmbito do projeto “Serviço de Proteção e Cuidado”, que responde nomeadamente a casos de abuso de menores e pessoas frágeis, reafirmando a política de tolerância zero.
“A política de tolerância zero é uma linha onde não se toca… Isto implica o acompanhamento das pessoas, o acolhimento das vítimas, e também a formação, e o acompanhamento de quem está a lidar, seja com os mais jovens, seja com pessoas vulneráveis”, afirmou.
O provincial dos jesuítas referiu-se à necessidade de formar também os “quadros de liderança” das organizações que pertencem ou estão relacionadas com instituições da Igreja Católica, que está a enfrentar este problema num “caminho que está a ser feito e que tem de ganhar mais consistência”.
“Todos têm o seu contributo, todos têm a sua experiência, todos têm essa necessidade. É muito importante que, a partir da experiência de cada um, que se construa um caminho comum”, afirmou.
A entrevista do padre António Valério à Agência ECCLESIA, no contexto de início de mandato e por ocasião do Dia de Santo Inácio, 31 de julho, esteve em destaque no programa Ecclesia desta quinta-feira e está publicada integralmente no canal Youtube da Agência Ecclesia.
PR

