Igreja/Sociedade: ACEGE promoveu entrega de certificados a 98 empresas familiarmente responsáveis

Patrícia Liz destacou que não é possível «produzir bem» se não houver boa relação entre a vida familiar e profissional, no âmbito da sessão «Bem-estar e conciliação: um imperativo da liderança», em Lisboa.

Foto: Agência ECCLESIA/LJ

Lisboa, 27 mai 2026 (Ecclesia) – A Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE) promoveu hoje, na sede da EDP, em Lisboa, uma sessão de entrega de certificados a 98 empresas, de vários setores e dimensões, envolvendo cerca de 50 mil colaboradores, por serem familiarmente responsáveis.

“Tal como a empresa é parceira da família, aqui a família também é parceira da empresa. E a lógica da efr, destas empresas familiarmente responsáveis, é tentar, na medida do possível, que haja uma harmonia entre estas duas realidades, porque uma precisa da outra”, afirmou Jorge Líbano Monteiro, secretário-geral da associação, em declarações à Agência ECCLESIA.

“Bem-estar e conciliação: um imperativo da liderança” deu mote à iniciativa, que se realizou esta manhã e contou com a intervenção da ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Maria do Rosário Palma Ramalho.

Jorge Líbano Monteiro explica que a atribuição da certificação, pela ACEGE e ‘Fundación Más Familia’, implica um processo “moroso”, com uma “série de requisitos”, que inclui um inquérito a todos os trabalhadores e uma fase de entrevistas a alguns deles.

“E depois a partir daí há a certificação externa, portanto, um auditor que vem e que controla tudo aquilo que foi dito, à partida é verdade”, refere.

O responsável indica que a certificação abrange cinco grandes áreas: parentalidade, formação, qualidade de trabalho e qualidade de oportunidades.

“É neste conjunto de áreas em que a empresa prova que tem um conjunto de medidas disponíveis para os trabalhadores e a partir daí depois com uma auditoria externa chega-se à conclusão se é verdade ou não”, esclarece.

Foto: Agência ECCLESIA/LJ

O secretário-geral da ACEGE assinala que a boa relação entre a vida familiar e o trabalho “é central para a felicidade das pessoas” e é isso que a associação procura.

“Se o meu filho está com dores de dentes e não dormiu nada esta noite, vou ter um dia diferente do que teria se estivesse impecável, depois de uma noite de sono. E pronto, aquilo que se pretende é que as pessoas possam falar disso abertamente sem problema”, partilhou.

“As pessoas quando vão ao jogo do Benfica não têm vergonha de dizer que vão ao jogo do Benfica e toda a gente aceita. O mesmo não se passa quando eu tenho que ir tomar conta de um filho porque fico aí sem ninguém em casa”, exemplificou o secretário-geral da ACEGE.

Sobre o impacto da certificação efr nas entidades que a receberam, Jorge Líbano Monteiro destaca que “há claramente uma forma diferente de estar e isso é relatado por vários responsáveis”.

“Eu espero que sim, que o espírito seja diferente, que as empresas tenham percebido que para terem bons trabalhadores precisam de os ter inteiros, não podem ter só uma parte deles”, realçou.

“Queremos pessoas unas, pessoas inteiras, que estão a trabalhar, a fazer o melhor possível e que sabem que a sua vida também é afetada pela família em que estão”, acrescentou.

Este ano, o número de certificações efr atribuídas cresceu, algo que, para a presidente da ACEGE, Patrícia Liz, é “extremamente recompensador”.

“Sentimos que se vai criando uma cultura mais humanizada nas empresas, que se preocupa com as condições de trabalho, com aquilo que é também a capacidade das pessoas a desenvolverem as suas competências profissionais e desenvolverem-se na sua forma integral, na sua vida”, disse.

A responsável reforça a ideia de que não é possível “produzir bem” se não houver um bom equilíbrio entre a vida familiar e profissional

“É extremamente importante um processo aturado, um processo que orienta, que não só pede um preenchimento de requisitos, mas orienta e trabalha lado a lado com as empresas para que, de facto, se consigam medidas concretas de conciliação família e trabalho”, enfatizou.

Foto: Agência ECCLESIA/LJ

Entre as empresas presentes na cerimónia esteve a Fundação Fé e Cooperação (FEC), Organização Não-Governamental para o Desenvolvimento, cuja missão é promover o desenvolvimento humano integral, que renovou a certificação que adquiriu no ano passado nos países onde está presente: Angola, Guiné-Bissau, Moçambique e Portugal.

“Para nós é sempre uma alegria muito grande, um reconhecimento externo de um investimento que nós fazemos nas nossas pessoas, nos nossos colaboradores”, referiu Ana Patrícia Fonseca, diretora-executiva da FEC.

A responsável indica que a “flexibilidade do horário” é a medida adotada pela FEC para promover o equilíbrio entre a vida profissional e familiar que mais é mais reconhecida pelos colaboradores na empresa em Portugal.

“Damos também o dia de aniversário para que a pessoa possa viver e celebrar esse dia junto dos seus, da sua família. Damos também a tarde de aniversário dos filhos, quem tem filhos pequenos”, esclareceu.

Ana Patrícia Fonseca dá conta que os funcionários da organização têm a possibilidade de dois dias de teletrabalho por semana, bem como uma semana de trabalho contínuo neste regime por ano.

“Em Angola, Guiné-Bissau e Moçambique, a medida da formação é uma das mais valorizadas pelos nossos colaboradores locais de cada um destes três países”, menciona.

Em representação da Casa de São José, Instituição Particular de Solidariedade Social IPSS, única entidade da Madeira com certificado efr, esteve o padre Marcos Pinto, da Diocese do Funchal.

O sacerdote explica que a IPSS, que inclui centro social, centro de convívio e centro de dia, abrange várias práticas para a conciliação entre trabalho e vida familiar, entre as quais a semana de quatro dias e meio, o apoio aos pais dos colaboradores que já “estejam acamados” e um voucher de 100 euros no fim do ano para quem já tem mais de um ano de casa.

O Grupo José de Mello recebeu também a certificação efr que, para o administrador executivo da empresa, Pedro Rocha e Melo, é “importante” para ajudar a melhorar, rever as políticas e “criar novas medidas que contribuam para o desenvolvimento e o bem-estar das pessoas”.

Os três representantes das entidades certificadas consideram que, apesar de não ser o propósito, as medidas que as empresas promovem acabam por ter um impacto positivo no rendimento dos colaboradores.

“Achamos que trabalhadores mais felizes produzem mais. Apesar desse não ser o nosso objetivo. o nosso objetivo não é a produtividade, no fim, justamente o foco é a pessoa, é a felicidade e o bem-estar da pessoa”, refere Ana Patrícia Fonseca.

“Quando as pessoas se sentem bem, quando as pessoas estão mais felizes no seu local de trabalho, produzem muito mais e são muito mais competentes, muito mais objetivas”, afirma Pedro Rocha e Melo.

O padre Marcos Pinto realça que “colocar a pessoas no centro” é a razão de a Casa de São José existir: “A nossa missão é acrescentar valor, é fazer a diferença, é criar impacto e por isso a pessoa para nós é sempre, como dizia de Santa Teresa de Calcutá, o outro Cristo e é assim que nós procuramos ver todos os dias”.

A iniciativa contou com as intervenções de Miguel Stilwell, presidente executivo do grupo EDP, Maria Rosário Ramalho, ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, e Rafael Fuertes, diretor Geral efr, da Fundación Másfamilia.

Seguiu-se uma mesa-redonda, moderada por Jorge Líbano Monteiro, com a participação de Armindo Monteiro, presidente da Confederação Empresarial de Portugal, Patrícia Liz, presidente da ACEGE, Paulo Barradas, CEO da Bluepharma, e Rui Diniz, CEO da CUF.

LJ/OC

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