Um ano depois da sua morte , D. Virgílio Antunes recorda documentos deixados e a capacidade de dialogar «olhos nos olhos»

Coimbra, 21 abr 2026 (Ecclesia) – O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) lembrou hoje o Papa Francisco como um homem de coração e mente abertos, no dia em que se assinala um ano da sua morte, reconhecendo as marcas deixadas no mundo.
“Vejo o Papa Francisco com uma relevância muito grande na Igreja Católica, mas também na relação com as outras Igrejas Cristãs, com o diálogo ecuménico e, inclusivamente, no que diz respeito à relação com o mundo, numa perspetiva mais larga, mais abrangente e mais vasta”, afirmou D. Virgílio Antunes, informa o jornal Correio de Coimbra.
“Porque foi um homem de coração aberto, de mente aberta, reconhecido tanto dentro da Igreja como fora da Igreja”, desenvolveu.
O bispo de Coimbra lembra que estabeleceu uma ligação estreita com o primeiro pontífice sul-americano em momentos marcantes, nomeando como um dos exemplos as duas sessões da Assembleia do Sínodo dos Bispos, em 2023 e 2024.
“Via-se o conhecimento que tinha dos países, das igrejas e das realidades do nosso mundo e a capacidade de Francisco em dialogar olhos nos olhos, frente a frente, com quem conversava”, destacou.
Sobre a herança papal de Francisco, D. Virgílio Antunes indicou a exortação apostólica Evangelii Gaudium (A Alegria do Evangelho), publicada a 24 de novembro de 2013, como o “documento programático”, por excelência.
“Foi para nós absolutamente inovador pelos desafios da Igreja ‘em saída’, voltada totalmente para a evangelização”, explicou.

O presidente da CEP assinala que gosta de “ouvir frequentemente” o Papa Leão XIV citar este documento, bem como outros textos elaborados por Francisco.
D. Virgílio Antunes aponta que a encíclica ‘Laudato Si’, sobre a ecologia integral, e a ‘Fratelli Tutti’, sobre a fraternidade humana, compõem um legado que “continuará presente na história da Humanidade por muito tempo”, servindo de bússola num mundo marcado por divisões e polarizações.
Eleito a 14 de abril para liderar a CEP, na Assembleia Plenária, em Fátima, D. Virgílio Antunes defende que a Igreja Portuguesa tem de estar inserida no mundo e que a marca que deseja implementar é a “herança de Francisco”.
“A Igreja não pode estar distante do mundo como se fosse uma realidade à parte, mas sem perder aquilo que é o sentido da sua tradição, sem perder aquilo que é o sentido da sua espiritualidade, sem perder o sentido daquilo que são as ânsias de evangelização”, salientou,
“E, portanto, temos de ser em Portugal uma Igreja presente, aberta, em diálogo, em saída, evangelizadora”, acrescentou.
A Igreja Católica faz hoje memória do Papa Francisco, no primeiro aniversário da sua morte, aos 88 anos de idade, na madrugada de 21 de abril de 2025, um dia após o Domingo de Páscoa, na Casa de Santa Marta, no Vaticano, na sequência de um acidente vascular cerebral (Ictus Cerebri).
Jorge Mario Bergoglio, nascido em Buenos Aires a 17 de dezembro de 1936, tornou-se, a 13 de março de 2013, o primeiro Papa jesuíta e o primeiro proveniente do continente americano a liderar a Igreja Católica.
LJ/PR
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