Papa enviou mensagem para celebração na Basílica de Santa Maria Maior, no aniversário da morte do seu antecessor

Roma, 21 abr 2026 (Ecclesia) – O Papa evocou hoje o legado de “misericórdia” e o testemunho “corajoso” de Francisco, numa mensagem enviada pelo primeiro aniversário da sua morte, lida na Basílica de Santa Maria Maior.
“O seu magistério foi vivido como discípulo-missionário, como gostava de dizer. Permaneceu discípulo do Senhor, fiel ao seu Batismo e à consagração no ministério episcopal, até ao fim. Foi também missionário, anunciando o Evangelho da misericórdia a ‘todos, todos, todos’, como teve ocasião de dizer várias vezes”, escreve Leão XIV, que se encontra em visita à Guiné Equatorial.
O documento foi dirigido ao cardeal Giovanni Battista Re, decano do Colégio Cardinalício, que presidiu à celebração eucarística em sufrágio do pontífice argentino, na tarde desta terça-feira.
O Papa sublinhou que o seu predecessor chegou ao “coração de tantas pessoas, até aos confins da terra” e disse que a sua memória “permanece viva na Igreja e no mundo”.
Foi sucessor de Pedro e pastor da Igreja universal numa época que marcou e continua a marcar uma mudança de era, aquela mudança da qual Ele estava plenamente consciente, oferecendo a todos nós um testemunho corajoso, que representa um património significativo para a Igreja.”
Leão XIV sublinhou a consciência do seu antecessor perante as transformações contemporâneas, que abordou com uma linguagem própria.
“Ainda ouvimos ressoar as suas exortações, expressas com palavras eloquentes, para tornar mais compreensível a boa nova: misericórdia, paz, fraternidade, cheiro das ovelhas, hospital de campanha e tantas outras”, observou.
“Cada uma destas expressões remete-nos para o Evangelho por ele vivido com uma linguagem nova que anuncia o mesmo Evangelho de sempre”, acrescentou.
Em sintonia com os seus antecessores, acolheu a herança do Concílio Vaticano II e exortou a Igreja a estar aberta à missão, guardiã da esperança do mundo, apaixonada pelo anúncio daquele Evangelho que é capaz de dar a cada vida plenitude e felicidade.”
O Papa lembrou a profunda devoção mariana de Francisco, que levou à escolha da Basílica de Santa Maria Maior como local para a sua sepultura,
“A morte não é um muro, mas uma porta que se abre de par em par para a Misericórdia que o Papa Francisco anunciou incansavelmente”, apontou.
Jorge Mario Bergoglio, nascido em Buenos Aires a 17 de dezembro de 1936, tornou-se, a 13 de março de 2013, o primeiro Papa jesuíta e o primeiro proveniente do continente americano a liderar a Igreja Católica.
Comprometido com o combate à “indiferença” e à “economia que mata”, Francisco deixou como uma das suas marcas o processo sinodal iniciado em 2021, desafiando a Igreja a um caminho de escuta, diálogo e maior participação de todos os seus membros.
Portugal assumiu um papel de relevo nesta geografia papal, consolidado com a visita a Fátima em 2017 — para o centenário das Aparições e a canonização de Francisco e Jacinta Marto — e a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) Lisboa 2023.
Na capital portuguesa, Francisco deixou o apelo a uma Igreja aberta a “todos, todos, todos”, mensagem que ressoa como o seu testamento espiritual, para muitas pessoas.
OC
Igreja: Leão XIV destaca «mensagem da misericórdia» do Papa Francisco, um ano após a sua morte
