Igreja/Portugal: D. José Ornelas rejeita populismos e alerta para hostilidade contra migrantes

Discurso de abertura da Assembleia Plenária admite «cansaço e desconfiança» na sociedade

Foto: Agência ECCLESIA/MC

Fátima, 13 abr 2026 (Ecclesia) – O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) advertiu hoje para o crescimento de movimentos populistas e rejeitou atitudes de exclusão dirigidas aos migrantes que chegam ao país.

“Há cansaço e desconfiança, e isso abre espaço a populismos e a formas de fazer política que se alimentam mais do medo e da manipulação do que da busca sincera de soluções”, assinalou D. José Ornelas, na abertura da Assembleia Plenária que decorre em Fátima, até sexta-feira.

O bispo de Leiria-Fátima abordou o desafio dos fluxos migratórios, sublinhando o contributo fundamental dos estrangeiros para a sustentabilidade nacional e condenando a burocracia que desumaniza o acolhimento.

“Regular os fluxos migratórios é necessário, mas nada pode justificar processos desumanos, tempos de espera humilhantes ou formas de integração insuficientes”, indicou.

O bispo de Leiria-Fátima insistiu na incompatibilidade entre os valores cristãos e a recusa do acolhimento.

Legitimar a exclusão, a hostilidade ou o desprezo são atitudes que contradizem o Evangelho e que não contribuem para a afirmação de uma sociedade justa, aberta e a pensar num futuro melhor para si e para o mundo.”

A intervenção traçou um retrato das dificuldades estruturais enfrentadas pelas famílias em Portugal, apontando o acesso à saúde, à habitação e o isolamento dos idosos como prioridades de ação.

“A guerra, a instabilidade internacional e as suas consequências sobre o nosso dia-a-dia, a pobreza crescente, a fragilidade de tantas famílias, as dificuldades de acesso à habitação e à saúde, o desencanto de muitos jovens e o sofrimento silencioso e solitário de tantas pessoas idosas interpelam-nos e recordam-nos que a Igreja deve permanecer junto das feridas e esperanças da sociedade”, assinalou D. José Ornelas.

A 214.ª Assembleia Plenária ordinária da Conferência Episcopal Portuguesa vai proceder à eleição dos órgãos de presidência para o triénio 2026-2029.

OC

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