«Caminho não termina aqui nem pode voltar atrás», disse D. José Ornelas, na abertura da Assembleia Plenária

Fátima, 13 abr 2026 (Ecclesia) – O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) lamentou hoje a controvérsia em torno das posições individuais dos bispos sobre as compensações financeiras a vítimas de abusos sexuais, falando num compromisso coletivo e para o futuro.
“Polemizar sobre posições individuais dos membros da Assembleia, sem respeito pela realidade e a verdade dos factos, como aconteceu nos últimos dias, é lamentável e injusto, tanto para as vítimas como para os visados, e não ajuda a uma correta informação”, disse D. José Ornelas, em Fátima, na sessão de abertura da Assembleia Plenária da CEP, que decorre em Fátima.
O bispo de Leiria-Fátima saiu em defesa do processo de atribuição de verbas, concluído em fevereiro.
“Foi um percurso complexo e sensível, mas sempre assumido com seriedade e responsabilidade, tendo as vítimas no centro do nosso pensamento e ação, no intuito de contribuir para a superação possível dos dramas vividos por quem foi vítima de abusos e para a reconstrução das suas vidas”, declarou.
O presidente da CEP sustentou que “o caminho não termina aqui nem pode voltar atrás”, após o trabalho dos últimos anos.
A Igreja em Portugal precisa de consolidar uma verdadeira cultura de proteção e cuidado. Não se trata apenas de responder ao passado, mas de mudar práticas, reforçar a prevenção e tornar a Igreja num lugar seguro e mais coerente com aquilo que professa.”
Como tinha feito em entrevista à Agência ECCLESIA, o responsável católico justificou a redução dos montantes inicialmente propostos pelas comissões de fixação, remetendo a deliberação final para a avaliação comparativa e jurídica feita pelo conjunto dos bispos, em reunião plenária extraordinária.
“Não se trata de pagar a dor, porque a dor não se paga. Trata-se de reconhecer um mal injusto e de colaborar, tanto quanto possível, na reparação e no refazer de vidas profundamente dilaceradas”, acrescentou.
D. José Ornelas reconheceu que algumas soluções ficaram aquém das expectativas de certas pessoas, mas apontou à continuidade do compromisso na prevenção e proteção nas comunidades eclesiais.
“A ‘tolerância zero’ tem de ser mais do que uma fórmula dita: tem de tornar-se critério permanente de coerência evangélica e de responsabilidade institucional”, insistiu.
Depois deste caminho, a Igreja em Portugal sabe que tem ainda muito a aprender, mas sabe também que adquiriu uma experiência que pode ser partilhada com outras instituições da sociedade, ao serviço do bem comum, na prevenção, no cuidado e na proteção dos mais vulneráveis.”
O processo de compensações financeiras às vítimas de abusos sexuais, sofridos enquanto menores ou adultos vulneráveis no contexto da Igreja Católica em Portugal, foi “livremente iniciado pela Conferência Episcopal Portuguesa e pela Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal e definido pelo Regulamento publicado a 25 de julho de 2024”.
Desde janeiro de 2021, a Igreja Católica em Portugal tem novas diretrizes para a “proteção de menores e adultos vulneráveis”, sublinhando uma atitude de vigilância nas várias atividades pastorais e de colaboração com as autoridades.
Durante o ano de 2022, a CEP pediu um estudo sobre casos de abuso sexual na Igreja em Portugal nos últimos 70 anos a uma Comissão Independente, que validou 512 testemunhos relativos a situações de abuso, que seria apresentado em fevereiro de 2023.
A 22 de maio de 2023, a Conferência Episcopal Portuguesa criou o Grupo Vita para acolher denúncias de abuso, trabalhar na prevenção e acompanhar vítimas e agressores.
OC
