«Este local, este contexto, que é um hospital, sintoniza-nos com Aquele que venceu a morte», afirmou D. Rui Valério

Lisboa, 13 abr 2026 (Ecclesia) – O patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, presidiu este domingo à Eucaristia na Capela do Hospital Pulido Valente, na capital, onde lembrou que Cristo é saúde.
“A própria palavra saúde significa inteiro. E como é que a pessoa realiza esta integralidade do seu ser? Apenas com Cristo, Ele é que é a nossa plenitude, Ele é que é a nossa saúde”, afirmou antes da bênção final, informa o portal do Patriarcado de Lisboa.
“Vamos então anunciar que verdadeiramente a saúde só acontece com Cristo ressuscitado. Saúde para todos, porque Cristo é verdadeiramente o nosso Salvador”, exortou.
A Eucaristia do Dia Diocesano da Saúde, que coincidiu com o Domingo da Divina Misericórdia e teve transmissão na TVI, reuniu doentes, profissionais de saúde, voluntários e crentes.
Na homilia, D. Rui Valério centrou a sua reflexão no mistério da ressurreição e na misericórdia de Deus, sublinhando que a nova vida não é conquista humana, mas dom divino.
O patriarca de Lisboa relacionou a celebração com o contexto hospitalar, afirmando que Cristo ressuscitado mantém as marcas do sofrimento, agora transformadas.
Este local, este contexto, que é um hospital, sintoniza-nos com Aquele que venceu a morte, ressuscitou, mas que continua a trazer no seu corpo as marcas das suas chagas, do seu sofrimento”, disse.
Aludindo ao Evangelho, D. Rui Valério apresentou “três sepulcros” dos quais Cristo ressuscita os seus discípulos – e cada pessoa: o medo, a culpa e a desconfiança.
“O primeiro sepulcro de onde Jesus vai resgatar os discípulos é aquela casa que estava fechada, onde eles estavam com medo. Aquela casa é um símbolo da apatia, do escondimento. Os discípulos estão escondidos porque têm medo, estão paralisados, sentem-se oprimidos, sozinhos, esmagados”, relatou.
Face a esta realidade, o patriarca de Lisboa destacou a ação de Cristo, referindo que “Jesus surge para os ressuscitar através do dom da paz: ‘A paz esteja convosco’”.
“É uma paz que nos penetra o coração, que nos restitui à vida”, salientou.
Como segundo sepulcro, D. Rui Valério identificou “o da culpa e da condenação interior”, que todos vivem interiormente, “muitas vez no silêncio”.
Por fim, o patriarca deixou um apelo à libertação e ao perdão: “Irmã e irmão, deixa-te ressuscitar desse sepulcro”.
“Só na medida em que se perdoa o outro, é que nós aceitamos ser perdoados. O maior obstáculo somos nós, que não permitimos que o Senhor nos perdoe”, acrescentou.
No terceiro sepulcro, D. Rui Valério lembrou a figura de São Tomé: “É a sepultura da desconfiança. Tomé não acreditou no testemunho de uma comunidade de discípulos que lhe diziam: ‘Vimos o Senhor!’”.
O responsável católico realçou a profundidade desta atitude, realçando que “não é só a cabeça, é sobretudo o coração que está duro”, e deixou um alerta para as consequências.
“O drama da descrença é que não é só em relação a Deus, é uma descrença que se infiltra também na comunicação e na relação com os outros”, indicou.
O patriarca de Lisboa observou que “é curioso como o diálogo e o encontro com o Senhor” resgata cada um das próprias desconfianças.
“Cristo ressuscitou, deixa-te ressuscitar na força dessa vida nova”, concluiu.
A Pastoral da Saúde do Patriarcado de Lisboa promoveu a Eucaristia no Hospital Pulido Valente, que ficou ainda marcada pela administração do sacramento da Unção dos Doentes.

Na saudação inicial, o diretor da Pastoral da Saúde do Patriarcado de Lisboa, Padre Jorge Sobreiro, ressaltou o significado da celebração naquele contexto hospitalar e agradeceu às entidades envolvidas, nomeadamente à administração da ULS [Unidade Local de Saúde] Santa Maria, à Liga dos Amigos do hospital e à Associação de Voluntários Católicos Mateus 25.
O responsável deixou ainda uma palavra a D. Rui Valério, sublinhando a proximidade com os doentes.
“O Senhor Patriarca não deixa de olhar para este mundo da saúde, para este mundo daqueles que mais sofrem e também de estar ao nosso lado a ajudar-nos a caminhar”, disse.
LJ/OC


