Novo bispo auxiliar de Lisboa comenta o ano eleitoral e afirma que «os transportes públicos devem ser tendencialmente gratuitos»

Porto, 30 mar 2019 (Ecclesia) – O novo bispo auxiliar de Lisboa disse à Agência ECCLESIA que as opções políticas dos portugueses devem ser alicerçadas na “leitura da realidade”, longe de “foguetes” e de “fantasmas”.

“É fundamental que no dia em que formos chamados a tomar uma opção ela seja alicerçada numa leitura da realidade”, onde os media “têm muita responsabilidade”, sustentou D. Américo Aguiar, ao comentar o ano eleitoral em Portugal.

Para o novo bispo auxiliar de Lisboa, cada português deve ser capaz de “refletir profundamente” a realidade, sem ir atrás de “de foguetes nem de fantasmas nem de conversas populistas”.

“Vivemos estes últimos quatro anos numa inovação, o que foi chamado de ‘geringonça’, as expectativas de alguns eram mínimas, de outros eram máximas. Eu tinha dúvidas que fosse possível chegar ao fim da legislatura, mas ainda bem que chegamos”, afirmou.

“Concordo com muitas coisas, não concordo com outras, mas ainda bem que tivemos alguma paz no que significou o decorrer da legislatura que agora vai a terminar”, acrescentou D. Américo Aguiar.

Questionado sobre os descontos nos passes sociais e o eleitoralismo que pode estar associado a esta medida, o responsável defendeu que os transportes públicos deveriam ser “tendencialmente” gratuitos, caso os orçamentos o permitissem.

“Temos urgentemente de abandonar o comodismo de estacionar o carro à porta do supermercado, da igreja ou do posto de trabalho”, defendeu.

O bispo auxiliar de Lisboa lembrou as “desgraças da natureza”, sublinhando que todos os cidadãos são corresponsáveis pelo que acontece longe e perto, e disse que as medidas que promovam o uso dos transportes públicos têm de ter presente “a corresponsabilidade pela harmonia de todo o território e de toda a população”.

D. Américo Aguiar comentou também a realização das eleições europeias, referindo que são motivo de “preocupação” pelo facto de puderem eleger para o Parlamento Europeu deputados antieuropeus.

“A paz é qualquer coisa que tem de ser trabalhada, mantida e refeita todos os dias”, assinalou.

A respeito do aumento do turismo em Portugal, nomeadamente no Porto, D. Américo Aguiar disse que é “contra o discurso do turismo a mais” e defendeu a necessidade de fazer “equilíbrios” entre a permanência das gentes de cada bairro e a criação de espaços para o acolhimento.

“O maior ativo que qualquer cidade tem para cativar o turismo são as suas gentes”, defendeu.

D. Américo Aguiar era, desde 2011, presidente da Irmandade dos Clérigos, na cidade do Porto, onde promoveu a requalificação da Igreja e da Torre e fomentou a promoção de iniciativas culturais e turísticas.

O novo bispo auxiliar de Lisboa era também diretor do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais e presidente do Conselho de Gerência da Renascença, cargo que mantém.

A ordenação episcopal de D. Américo Aguiar decorre este domingo, na Igreja da Trindade, no Porto, numa celebração presidida pelo cardeal-patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente; serão coordenantes D. Manuel Linda, bispo do Porto, e D. José Domingo Ulloa, arcebispo do Panamá.

Natural da Diocese do Porto, D. Américo Aguiar nasceu a 12 de dezembro de 1973 e foi ordenado sacerdote em 2001; o Papa Francisco nomeou-o bispo com o título simbólico de Dagno, diocese histórica na atual Albânia.

A entrevista a D. Américo Aguiar vai ser emitida no programa 70×7 deste domingo, às 07h30, na RTP2; a versão integral será publicada à mesma hora no canal youtube da Agência ECCLESIA.

PR

 

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