Fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre fala em «alívio» e adianta que situação em Cabo Delgado é um dos «dossiers urgentes»

Foto: AIS

Lisboa, 13 jul 2020 (Ecclesia) – A fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) saudou a decisão da União Europeia, de reinstituir um “enviado especial” para as questões da Liberdade Religiosa, falando em “alívio”.

“Às vezes, o mero conhecimento de que alguém se importa no Ocidente com as vítimas de perseguição ajuda a manter viva a esperança”, afirma o presidente-executivo internacional da AIS, alertando para um ressurgimento de casos de violência e de perseguição por motivos religiosos em vários países.

Thomas Heine-Geldern salientou a importância deste compromisso da União Europeia quando “muitos direitos humanos estão ameaçados”, especialmente desde o início da pandemia do coronavírus, e considera “positivo” que o próximo ‘enviado especial’ receba um “mandato permanente e plurianual”, deixando assim de estar sujeito a uma recondução todos os anos.

Numa nota enviada à Agência ECCLESIA, a fundação pontifícia elenca “alguns ‘dossiers’ urgentes”, como os detidos no Paquistão acusados de blasfémia, as jovens raparigas cristãs sequestradas na Nigéria e a situação da comunidade Uigur na China.

A AIS destaca a violência terrorista de matriz jihadista contra as populações em vários países africanos, como o Níger, Burkina Faso, Mali e na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, que já foi “objeto de uma reunião do Parlamento Europeu, a 6 de julho”, com a presença dos eurodeputados portugueses Paulo Rangel, Isabel Santos e Carlos Zorrinho.

Em entrevista ao secretariado português, Paulo Rangel, vice-presidente do Partido Popular Europeu, alerta para situação que se vive no norte de Moçambique, com ataques violentos por grupos armados que já causaram centenas de mortos e mais de 200 mil deslocados.

“Já é tarde para atuar, mas mais vale agora do que mais tarde. Nós estamos desde 2017 com estes sinais que têm vindo a recrudescer, têm vindo a aumentar, e a comunidade internacional está absolutamente ausente deste problema”, lamenta.

O anúncio da figura do ‘enviado especial’, a 8 de julho, pelo vice-presidente Margaritis Schinas, provocou “um alívio nas organizações que trabalham na promoção e proteção dessa liberdade fundamental”, e surgiu na “sequência de fortes críticas ao nível político, da sociedade civil e das comunidades religiosas”.

A fundação Ajuda à Igreja que Sofre contextualiza que a decisão de “reinstalar” a figura do ‘Enviado Especial’ para os assuntos da Liberdade Religiosa foi tomada quase um mês depois da Comissão Europeia, liderada por Ursula von der Leyen, ter anunciado que esta função não seria mantida, a 15 de junho.

O cargo de ‘enviado especial’ foi criado em 2016 em resposta a um apelo dirigido ao Parlamento Europeu “após os massacres” do grupo terrorista Daesh, o autoproclamado Estado Islâmico, no Iraque e na Síria contra as minorias religiosas.

CB/OC

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