Cardeal saudou primeiro grupo de peregrinos vindos do estrangeiro, após a pandemia

Foto: Santuário de Fátima

Fátima, 13 jul 2020 (Ecclesia) – O bispo de Leiria-Fátima, D. António Marto, encerrou hoje a peregrinação internacional aniversária deste mês, na Cova da Iria, evocando o chamado “Segredo de Fátima”, mensagem transmitida em julho de 1917.

“Esta peregrinação aniversária de julho evoca-nos o chamado e conhecido Segredo de Fátima, que de segredo já não tem nada”, referiu o cardeal português, ao saudar os peregrinos, no final da Missa que foi presidida por D. Vitorino Soares, bispo auxiliar do Porto, no altar do Recinto de Oração.

D. António Marto recordou aos presentes a “intervenção de Nossa Senhora, num momento insólito e particularmente difícil”, para a humanidade e a Igreja, em que pairava o “espectro” da I Guerra Mundial e das perseguições aos católicos.

“Nossa Senhora, com o seu coração de Mãe, fala aos filhos, coração a coração”, assinalou o bispo de Leiria-Fátima.

O cardeal destacou que as Aparições de julho deixaram a advertência de que era preciso uma conversão, isto é, “mudar de rumo”, destacando a devoção ao Imaculado Coração de Maria, “para chegar até Deus com o coração totalmente disponível ao Senhor”.

Em Fátima, acrescentou, a Virgem Maria deixou uma “promessa de esperança e de confiança”.

“Por fim, o amor misericordioso de Deus triunfará”, explicou.

  1. António Marto desejou as melhoras e “rápidas convalescenças” aos doentes, em particular os afetados pela Covid-19, e saudou os idosos, num momento muitas vezes marcado pela “solidão”.

O responsável católico anunciou que, pela primeira vez desde a pandemia, um grupo organizado de peregrinos estrangeiros se deslocou à Cova da Iria, neste caso um grupo vindo da Itália, que saudou.

“Bem-vindos. Que Nossa Senhora esteja sempre ao vosso lado, vos abençoe e acompanhe com a sua ajuda materna”, disse.

Um dos momentos centrais da terceira aparição de Nossa Senhora aos videntes Lúcia, Francisco e Jacinta, a 13 de julho de 1917, ficou conhecido como o “Segredo de Fátima”, no qual se apresenta uma visão do inferno, a devoção ao Imaculado Coração de Maria e a Igreja peregrina e mártir.

Em 2010, Bento XVI, agora Papa emérito, falou aos jornalistas no voo entre Roma e Lisboa, para explicar que “uma aparição, ou seja, um impulso sobrenatural, não vem somente da imaginação da pessoa, mas na realidade da Virgem Maria, do sobrenatural”.

A terceira parte do segredo fala de um “Bispo vestido de branco” que caminha no meio de ruínas e cadáveres, imagem associada ao atentado sofrido por João Paulo II a 13 de maio de 1981.

Bento XVI disse que “nesta visão do sofrimento do Papa é possível ver, em primeira instância, o Papa João Paulo II”, mas também estão indicadas “realidades do futuro da Igreja” que se “desenvolvem e se mostram”.

“O importante é que a mensagem, a resposta de Fátima, não vai substancialmente na direção de devoções particulares, mas precisamente na resposta fundamental, ou seja, a conversão permanente, a penitência, a oração, e as três virtudes teologais: fé, esperança e caridade”, sustentou.

A terceira parte do Segredo de Fátima foi dada a conhecer em 2000, no Santuário da Cova da Iria, por ocasião da terceira peregrinação de João Paulo II a Portugal.

O texto – relativo à mensagem anunciada por Nossa Senhora aos Pastorinhos, em julho de 1917, e escrita por Lúcia na década de 40 do século XX – pode ser consultado no sítio do Vaticano.

De acordo com o testemunho, reconhecido pela Igreja Católica, das três crianças conhecidas como Pastorinhos de Fátima (a irmã Lúcia e os santos Francisco e Jacinta), ocorreram seis aparições da Virgem Maria na Cova da Iria e imediações, uma a cada mês, entre maio e outubro de 1917.

Jacinta e Francisco morreram com 9 e 10 anos, respetivamente; foram beatificados pelo Papa João Paulo II, no ano 2000, e canonizados pelo Papa Francisco, a 13 de maio de 2017; a terceira vidente, Lúcia de Jesus (1907-2005), encontra-se em processo de beatificação.

OC

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