Lisboa/Turismo: Convento dos Cardaes é o único convento que sobreviveu ao terramoto de 1755 e manteve presença religiosa ininterrupta

José Manuel Pimenta sugere local a conhecer durante período de férias, defendendo que a capital «não tem turistas a mais», estão é «mal distribuídos»

Foto: Convento dos Cardaes

Lisboa, 31 jul 2026 (Ecclesia) – José Manuel Pimenta, da Pastoral do Turismo do Patriarcado de Lisboa, propôs hoje visitar o Convento dos Cardaes, na capital portuguesa, que resistiu ao sismo de 1755 e que mantém presença religiosa até aos dias de hoje.

“É o único convento na cidade de Lisboa que, primeiro, não foi destruído com o terramoto e, segundo, que manteve ininterrupta uma presença religiosa e de uma comunidade religiosa lá no seu interior”, afirmou o responsável.

O programa Ecclesia inaugurou hoje um espaço onde, em cada sexta-feira das próximas semanas, convida os responsáveis da Pastoral do Turismo das Dioceses de Portugal a partilhar destinos a conhecer.

José Manuel Pimenta destaca que o Convento dos Cardaes “é uma joia na cidade de Lisboa”, devido, primeiramente, à sua localização, situando-se junto ao Príncipe Real, numa zona “iminentemente turística”, na Rua do Século.

O entrevistado salienta a “arte e a beleza” do edifício que foi preservada depois de resistir ao sismo, indicando que no interior é possível encontrar “um acervo de talha fantástico, pinturas incríveis do século XVI e azulejos que vieram da região da Holanda”.

Estas são características que, segundo o responsável, tornam o convento um edificado singular, justificando que, na zona da baixa, o “grande eixo de presença dos turistas”, “grande parte” das igrejas e conventos “foram todos reconstruídos” depois do terramoto.

“Alguns deles tentaram manter a sua traça original, como a Sé, mas outros foram completamente alterados. Quase todas as igrejas do Chiado tiveram a sua nova edificação já com linhas arquitetónicas claramente pombalinas, neoclássicas”, lembra.

Ainda sobre a história do convento, José Manuel Pimenta recorda que, no século XIX, em 1834, a Rainha Dona Maria II decreta a expulsão de todas as congregações religiosas do Reino de Portugal.

“Com os conventos femininos foi mais benemérita e permitiu que não ficassem logo fechados”, tendo impondo uma dupla obrigação, lembra, que se traduzia em não aceitar “novas religiosas” e, quando morresse a última das irmãs, o edifício e o recheio passavam “para a posse da coroa”.

“Quando morre a última monja, a última religiosa, já havia da parte da coroa uma atitude mais benemérita e, portanto, esta rigidez da expulsão das ordens religiosas já não estava tão forte. E então surge uma nova experiência ligada à família dominicana e, de facto, quando se dá a morte da última religiosa carmelita, entram logo e imediatamente as irmãs dominicanas”, explica.

José Manuel Pimenta refere que a comunidade dominicana mantém-se até hoje no convento e que, atualmente, o valor das visitas guiadas reverte para apoiar socialmente um projeto das religiosas.

Além de pertencer ao departamento da Pastoral do Turismo do Patriarcado de Lisboa, o responsável é também coordenador do projeto ‘Quo Vadis’, um recurso multimédia, que tem como objetivo dar a conhecer de forma inovadora o património religioso da diocese aos turistas nacionais e internacionais.

“O que temos notado é que quem nos visita, sendo crente ou não, fica maravilhado, fica deslumbrado. Até uma das frases que nos identifica como projeto ‘Quo Vadis’ é venha deslumbrar-se com o nosso património religioso”, indica.

José Manuel Pimenta dá conta que os turistas quando visitam Lisboa têm habitualmente cinco pontos a visitar, sendo que quatro deles são igrejas: igreja de Santo António, Mosteiro dos Jerónimos, Sé e Basílica da Estrela.

Face ao “rebuliço permanente” na capital, o entrevistado define estes espaços como “pequenos oásis” na cidade, porque são locais calmos, silenciosos e frescos.

“Há uma disponibilidade da Câmara Municipal de nos ajudar a termos mais igrejas abertas, porque a própria autarquia tem a consciência que como eles não conseguem responder a esta necessidade, que é ter espaços para os turistas poderem parar, descansar, as igrejas podem ter aqui este papel fundamental”, referiu.

Em entrevista ao programa Ecclesia, o responsável defendeu que “Lisboa não tem turistas a mais”, estão é “mal distribuídos”.

Para responder a este desafio, o projeto Quo Vadis propõe o Passaporte cultural ‘Lisboa Sacra – Roteiro entre colinas’, por 13 espaços religiosos.

“O que é que nós pretendemos? Chamar a atenção ao turista que está a visitar, por exemplo, a Sé de Lisboa, a igreja da Graça ou São Vicente de Fora que, bem perto delas, estão outras igrejas igualmente interessantes e que irão enriquecer até a própria visita”, disse.

PR/LJ/OC

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