Programa «70×7» aborda impacto das novas platarormas digitais na comunicação e relações humanas

Lisboa, 15 mai 2026 (Ecclesia) – A manipulação digital de vozes por ferramentas de inteligência artificial é uma preocupação assumida por vários profissionais, que comentaram à Agência ECCLESIA os desafios lançados pelo Papa para o próximo Dia Mundial das Comunicações Sociais, que se celebra domingo.
“Há uma manipulação digital da nossa voz, introduzindo alterações que não são percetíveis, mas que impossibilitam a condenação em tribunal. Não podemos fazer nada”, lamentou o animador Paulino Coelho, profissional do Grupo Renascença.
O profissional assumiu ter sido vítima destes sistemas de clonagem durante uma campanha eleitoral, alertando para a impunidade legal perante o uso não consentido da sua identidade vocal.
A preservação da autenticidade na relação com o auditório também foi sublinhada por Francisco Mendes, considerando que a dimensão tecnológica não substitui a construção de empatia.

“Na rádio a voz não vale por si, vale pela empatia que estabelece com quem nos escuta e acredito que isso é o que faz a diferença”, afirmou o locutor da Mega Hits.
Ricardo Perna, responsável pela comunicação da Diocese de Setúbal, reconheceu a utilidade das ferramentas de inteligência artificial nas redações para a transcrição e síntese de áudio, exigindo uma supervisão atenta.
“São importantes e úteis, mas quem com elas lida deve ter conhecimentos e capacidade crítica para detetar erros e introduzir correções”, salientou.
A reportagem abordou ainda os riscos do uso descontrolado de ecrãs pelas novas gerações, através do testemunho da associação de pais Mirabilis.
A utilização excessiva dos dispositivos digitais gera um ciclo de dependência que “leva a que a criança deixe de olhar para o mundo real onde deveria encontrar essa gratificação nas relações com os demais”, referiu Mariana Cabral Reis.

As entrevistas vão estar em destaque na próxima emissão do Programa ’70×7′, na RTP2, este domingo, 60.º Dia Mundial das Comunicações Sociais (17 de maio), cujo tema é ‘Preservar vozes e rostos humanos’.
“A tecnologia que explora a nossa necessidade de relacionamento pode não só ter consequências dolorosas para o destino dos indivíduos, mas também prejudicar o tecido social, cultural e político das sociedades”, adverte Leão XIV, na sua mensagem para esta celebração anual.
HM/OC
