Apresentação da mensagem de Francisco para o 57.º Dia Mundial das Comunicações Sociais decorreu em Santarém

Santarém, 24 jan 2023 (Ecclesia) – D. João Lavrador, presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, disse hoje que o Papa tem defendido, nas suas intervenções, a criação de “um sistema mediático que saiba ir contra a corrente”.

“A Comunicação Social deve ser uma voz que edifique uma sociedade mais humana, na qual a paz e a justiça, o bem e a verdade estejam presentes”, sublinhou o bispo de Viana do Castelo, no Seminário de Santarém.

O responsável falava na sessão de apresentação da mensagem do Papa Francisco para o 57.º Dia Mundial das Comunicações Sociais, divulgada esta manhã, com o título “Falar com o coração: Testemunhando a verdade no amor”, que se inspira numa passagem da carta de São Paulo aos Efésios (Ef 4,15).

Perante a guerra e um mundo marcado pela “falta de esperança”, “polarizações e debates exacerbados”, o presidente da Comissão Episcopal responsável pelo setor dos media apontou ao objetivo “humanizador” da comunicação, atenta a cada pessoa, na sua realidade concreta.

D. João Lavrador considerou a nova mensagem do Papa como uma reflexão atual que leva a um “discernimento dos sinais dos tempos”, promovendo a “proximidade, fraternidade e comunhão”.

Em declarações aos jornalistas, o bispo de Viana apelou ao “respeito mútuo”, para que possam construir relações fraternas, perante conflitos globais e pessoais.

“A paz nasce no coração de cada um”, sustentou.

Questionado sobre a sucessão de polémicas entre responsáveis políticos, D. João Lavrador afirmou que todos são responsáveis por ter uma “sociedade limpa”, sem “artifícios”, convidando a “cultivar um coração e uma consciência retas”.

“Se não há uma estrutura interior de alguém que se sinta responsabilizado por uma vida íntegra a todos os aspetos, não é fácil”, prosseguiu.

O encontro, com transmissão online, contou com a intervenção de João Maria Diogo, coordenador do grupo ‘+Coração’, um grupo de cerca de 50 voluntários de Santarém que serve refeições, à terça e quinta-feira de cada semana, aos mais necessitados (entre 3500 a 4000 por ano).

O responsável explicou que o objetivo foi “levar um ombro amigo, que escuta sem julgar”, acrescentando que, em dez anos de trabalho, “os milagres vão acontecendo”.

Foto: Agência ECCLESIA/SN

Já o padre Ricardo Conceição, coordenador do Comité Organizador Diocesano (COD) de Santarém para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) 2023, falou do trabalho desenvolvido para preparar o papel de diocese de acolhimento, juntamente com as comunidades de Lisboa e Setúbal, mobilizando voluntários, famílias e identificando espaços para receber os peregrinos.

“A capacidade de acolhimento está em função das inscrições”, precisou.

O sacerdote assumiu o desafio de “entusiasmar e acompanhar os jovens”, neste trabalho, apontando a um projeto de “médio prazo”.

O padre João Moita, diretor do Secretariado Diocesano das Comunicações Sociais da Diocese de Santarém, falou da comunicação na Igreja local, destacando o “interesse” que existe no jornal quinzenal ‘Porta do Sol’, a ligação com o bispo local e o trabalho de “ponte” com o secretariado nacional.

D. José Traquina, bispo de Santarém, que deu as boas-vindas aos participantes, encerrou a sessão, recordando a “responsabilidade de comunicar” na Igreja, com “conteúdos válidos para as pessoas”.

O responsável católico destacou ainda o crescimento de regiões como a Península de Setúbal e o Ribatejo/Oeste, desejando que esse facto leve ao reconhecimento do jornalismo local e de proximidade, assumindo que existem dificuldades económicas no setor.

“Esta comunicação aproxima as pessoas: comunica-se o bem, a bondade, aquilo que somos”, acrescentou.

Foto: Agência ECCLESIA/SN

A mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais é tradicionalmente publicada a 24 de janeiro, dia da memória litúrgica de São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas.

Esta é a única celebração do género estabelecida pelo Concílio Vaticano II, no decreto ‘Inter Mirifica’, em 1963; assinala-se, em cada ano, no domingo antes do Pentecostes – 21 de maio, em 2023.

Isabel Figueiredo, diretora do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais, abordou a figura de São Francisco de Sales (1567-1622), bispo e doutor da Igreja, a quem o Papa dedicou a 28 de dezembro de 2022 a Carta Apostólica Totum amoris est, nos 400 anos da sua morte.

“Quis ser um homem capaz de acolher todos, de ir ao encontro de todos”, assinalou.

A responsável apontou à necessidade de uma comunicação “cada vez mais transparente”, em particular perante notícias negativas, assumindo a realidade.

O programa da apresentação foi preparado pela Diocese de Santarém e pelo Secretariado Nacional das Comunicações Sociais.

LS/OC

Notícia atualizada às 16h25

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