Sacerdote, que escreveu tese sobre uso das plataformas por parte do clero português, é convidado da Ecclesia e Renascença no Dia Mundial das Comunicações Sociais
Lisboa, 17 mai 2026 (Ecclesia) – O padre Miguel Neto sublinhou a urgência de um “discernimento digital” para combater a desinformação e travar os discursos de ódio nas redes sociais.
“Eu não consigo travar essa lógica sem ser com formação. O que serve para fazer mal também pode servir para fazer bem. Depende da forma como nós estamos no ambiente digital”, advertiu o investigador, em entrevista conjunta à Agência ECCLESIA e Renascença, publicada e emitida hoje.
O autor apontou a falta de literacia mediática como a principal causa para a diminuição do uso intencional das plataformas por parte do clero no período pós-pandemia, pedindo uma aposta no conhecimento.
“Não há formação, é necessário o conhecimento, é necessário ter a experiência e é necessário conhecer a realidade”, observou o padre Miguel Neto, que recentemente defendeu a tese de doutoramento ‘Os Católicos e as Redes Sociais: competências digitais para uma vivência judaico-cristã no digital. O caso do clero português’.
O entrevistado defende mesmo a criação de um “um quadro de competências mediáticas para os cristãos”.
“Há muito tempo que a Igreja chama a atenção para o digital: que não é uma ferramenta, mas um lugar, um ambiente onde o homem se relaciona”, recorda.
É necessária uma estratégia para anunciar a verdade, combater a mentira, ter sempre presente que não nos interessa anunciar somente uma pessoa que esteja aqui, interessa-nos anunciar a figura de Jesus Cristo e a sua mensagem. E isso faz-se pela verdade e pela autenticidade, pelo pensamento crítico, pelo anúncio da comunidade, pelo anúncio da dignidade da pessoa e do outro.”
O especialista identificou a proliferação de criadores de conteúdos que centram a mensagem em si próprios como um desafio, apelando a uma transição para o modelo de missionário digital.
“O conceito de comunidade mudou com o digital, mas tem de haver uma passagem de influencers católicos para missionários digitais. E isso é uma questão que também nos preocupa muito”, alertou.
Apesar dos riscos de polarização fomentados pelos algoritmos, o sacerdote manifestou esperança na capacidade do ecossistema digital para promover a união solidária e a aproximação entre as pessoas.
“Há uma coisa boa no digital, há várias, mas uma das coisas boas é a questão da difusão de conteúdos quando o povo se une para pedir ajuda”, destacou o entrevistado.
A entrevista abordou o 60.º Dia Mundial das Comunicações Sociais, que se assinala hoje, a partir da mensagem do Papa Leão XIV dedicada aos desafios da inteligência artificial e da preservação das relações humanas.
OC
