Responsável assume intenção de «construir pontes», durante celebração na Igreja da Trindade que reuniu autoridades civis e religiosas, com centenas de participantes

Foto: Arlindo Homem

Porto, 31 mar 2019 (Ecclesia) – O novo auxiliar do Patriarcado de Lisboa, D. Américo Aguiar, foi hoje ordenado bispo no Porto, numa cerimónia que decorreu na Igreja da Trindade, sob a presidência do cardeal-patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente.

“Sempre me senti muito bem a fazer pontes”, disse o novo bispo, no final da celebração,

D. Américo Aguiar recordou a conversa que manteve recentemente, com o Papa Francisco, sobre a sua nomeação, agradecendo a presença de todos os participantes, com uma mensagem para os vários responsáveis políticos.

“Damo-nos bem, não há razão para ser de outra maneira. A cidade tem dois pulmões e nós fazemos parte de um”, assinalou, revelando que entregou ao presidente da Câmara do Porto um anel episcopal, como sinal da sua ligação à cidade e à diocese.

O novo bispo desafiou todos a ser “homens e mulheres de afeto”, que recusam “muros”, construindo também eles as suas pontes.

D. Américo Aguiar referiu-se também ao falecimento da sua mãe, este sábado, ligando esse acontecimento ao seu lema episcopal, ‘In Manus Tuas’ (Nas tuas mãos, Senhor).

“Rezem por mim. Levem um beijo, uma oração, aos vossos, aos de mais longe, aos doentes, aos desfavorecidos, aos que mais precisam, aos últimos. Estamos todos juntos, tenho o Porto e Lisboa no coração”, concluiu.

A cerimónia, com a presença de do primeiro-ministro, dos presidentes da Câmara de Lisboa e do Porto, além de autoridades religiosas e civis, teve como co-ordenantes D. Manuel Linda, bispo do Porto, e D. José Domingo Ulloa, arcebispo do Panamá, sendo concelebrada por mais de duas dezenas de bispos portugueses.

Na sua homilia, D. Manuel Clemente convidou o novo bispo a partilhar a “misericórdia” de Deus, para que “ninguém se perca e não se perca ninguém”, na procura “incansável” de todos.

Só a definição pessoa clara de quem pergunta poderá interpelar a quem responda. O que mais importa a todos nós, discípulos e ministros de Cristo é sermos contritos convictos, coerentes e límpidos, no anúncio e na vida. É esta a purificação que o Papa Francisco tanto exige à Igreja. É esta conversão que a Quaresma requer e o mundo aguarda”.

Um bispo, acrescentou, deve estar “ao lado do Pai e à espera de todos”, porque para Deus “os últimos são sempre os primeiros”.

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa falou de D. Américo Aguiar como “homem da comunicação” e referiu-se num momento em que a “escuta é difícil”.

“A acumulação do que se emite, atropela as mensagens, dispersa a atenção, dilui as perguntas adia as respostas”, precisou.

A homilia deixou ainda uma palavra de conforto ao novo bispo, que este sábado perdeu a sua mãe.

“Rezamos por ela, certos e bem certos, que te acompanha agora, como fará sempre”, concluiu.

Antes da ordenação, foi lido o respetivo mandato apostólico, assinado pelo Papa, foi lido pelo seu representante diplomático em Portugal, o núncio D. Rino Passigato.

O texto sublinha as “qualidades espirituais, capacidades intelectuais e a experiência na pastoral” do novo bispo.

Foto: João Lopes Cardoso/Diocese do Porto

O documento oficial tem a data de 1 de março, dia em que o Papa Francisco nomeou como bispo auxiliar de Lisboa D. Américo Aguiar, até agora presidente do Conselho de Gerência da Renascença e diretor do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais.

No início da celebração, D. Manuel Linda tomou a palavra para saudar o novo bispo, “sacerdote que marcou indelevelmente, de maneira positiva a diocese a cidade do Porto”.

“E nós quando damos, damos qualidade”, assinalou.

O bispo do Porto recomendou a D. Américo Aguiar que nunca se esqueça que é um “homem do Norte”.

“Onde estiveres, está em causa o nome do Porto. Deus te ajude a honrá-lo sempre”, declarou.

A Liturgia da Ordenação incluiu a apresentação do eleito, que promete fidelidade ao Papa; a sua prostração; a imposição das mãos; a entrega do Livro dos Evangelhos e das insígnias – o anel, símbolo da fidelidade à Igreja; a mitra, que evoca o “esplendor da santidade”; o báculo, que significa a missão de “pastor”.

Após a Comunhão, o prelado abençoou os participantes, durante vários minutos, sob os aplausos dos presentes.

Natural da Diocese do Porto, D. Américo Aguiar nasceu a 12 de dezembro de 1973 e foi ordenado sacerdote em 2001; é presidente da Irmandade dos Clérigos desde 2011 e, desde 2016, presidente das empresas do Grupo Renascença Multimédia e diretor do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais.

PR/OC

Notícia atualizada às 18h35

Ordenação Episcopal de D. Américo Aguiar

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