Documento nascido no pós-Concílio Vaticano II continua hoje a desafiar a Igreja a ser uma voz activa na sociedade

Lisboa, 10 mai 2011 (Ecclesia) – Há 40 anos, a Igreja Católica publicava um autêntico manual de informação e comunicação onde apresentava, com rigor técnico, a realidade mediática gerada pelo progresso tecnológico e os desafios concretos que colocava a todas as pessoas.

O documento chama-se ‘Communio et progressio’ (primeiras palavras, em latim, deste texto que significam ‘A comunhão e o progresso…’) e foi publicado no Vaticano no dia 23 de maio de 1971, pelo Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais.

Esta instrução pastoral surgia por “expresso mandato” do Concílio Vaticano II que, num breve documento promulgado em 1962 (‘Inter mirifica’), inclui as comunicações sociais “entre as maravilhosas invenções da técnica” e assume a necessidade de “pregar a mensagem de salvação servindo-se dos meios de comunicação social” (n.º 3).

Concretizando este pedido, a instrução pastoral publicada em 1971 operacionaliza uma intenção manifestada pelo Concílio, num texto com linguagem e estrutura inovadora por estar em real sintonia com a “gramática” dos media.

Ao longo dos 180 números da ‘Communio et Progressio’, são constantes os termos e as expressões que fazem parte do diálogo entre profissionais da comunicação social: “acesso às fontes” (33); “afluência de notícias”(37); “notícia tem de ser dada rápida” (38); “inédito – concorrência com outros meios de comunicação social”  (39); “direito à informação” (42); “liberdade de comunicar” (43); “publicidade” (59); “formação profissional” (71); “grandes investimentos para os instrumentos de comunicação” (80).

É no mesmo registo de discurso que se faz uma análise à incidência da informação na vida de todas as pessoas, à importância dos comentadores, ao desenvolvimento da comunicação de entretenimento e à necessidade de incluir conteúdos pedagógicos e culturais nos meios de comunicação social.

Mais do que considerações teóricas, o documento assume o papel de cada pessoa no processo da comunicação, dos seus emissores e recetores, sugerindo linguagens, atitudes, técnicas e objetivos últimos.

Analisado o contexto comunicacional das sociedades, o documento sugere depois percursos e etapas para organizar a comunicação nas várias estruturas da Igreja Católica, define competências e conteúdos formativos e afirma a urgência de um permanente estado de comunicação na Igreja, interna e externamente.

De forma muito pragmática, o documento aponta um conjunto de requisitos para que tal aconteça: “a necessidade de encontrar homens especializados, tanto técnica como administrativamente” (162); “a preparação profissional deste pessoal, eclesiástico ou leigo, deve ser um dos principais cuidados dos responsáveis neste campo” (164); a fundação de centros diocesanos ou interdiocesanos para a comunicação social (168) e de secretariados nacionais (169); e o dever de colaboração “material e espiritual” dos cristãos “a fim de que a função da Igreja neste campo seja facilitada com a aquisição de modernos recursos técnicos” (163).

Neste documento, todos os que têm responsabilidades eclesiais, são convidados “insistentemente a escrever na imprensa, e a participar em emissões radiofónicas e televisivas” (106); e sugere-se que “toda a problemática dos meios de comunicação deve estar presente nas diversas disciplinas teológicas” (108).

A instrução pastoral pode ser lida, em português, no site oficial do Vaticano.

Paulo Rocha, diretor da Agência ECCLESIA

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