«Habitar o silêncio»: Convento dos Carmelitas Descalços em Avessadas é «lugar de peregrinação, oração», e «de repouso»

«É muito possível habitar o silêncio, e deixar-se habitar pelo silêncio, que é onde Deus melhor fala a cada um de nós», assinala frei João Costa

Foto: Agência ECCLESIA/LJ

Marco de Canaveses, 11 ago 2026 (Ecclesia) – O Convento dos Padres Carmelitas Descalços, em Avessadas (Marco de Canaveses), na Diocese do Porto, também conhecido pelo Santuário do Menino Jesus de Praga, é lugar de peregrinação, de acolhimento, de retiro e reflexão, em grupos ou individualmente.

“É um santuário, um lugar de peregrinação, já com algum poder de referência no coração das pessoas, no coração dos fiéis e dos devotos do Menino Jesus de Praga, e, depois, é também um lugar de silêncio e de oração”, disse o superior da comunidade Carmelita de Avessadas, em entrevista à Agência ECCLESIA, transmitida hoje na RTP2.

Frei João Costa explica que as pessoas podem se recolher nesta casa, e “permanecer um dia, dois, três, uma semana”, porque é “um lugar, sobretudo, de encontro consigo, de aprofundamento primeiro de autoconhecimento, de reconhecimento de quem sou eu”.

“Se quiser uma palavra que definisse isto seria ‘oásis’. É um lugar de paragem, é um lugar de repouso, é a possibilidade das pessoas restaurarem forças. As forças do corpo, as forças da alma, as forças do espírito, e se renovarem interiormente e fazerem aqui, tanto quanto possível, Deus é o que sabe e nós também, fazer um encontro com Deus e fazer este mergulho no divino”, desenvolveu o religioso carmelita.

No Convento dos Padres Carmelitas Descalços em Avessadas foi inaugurado um Centro de Espiritualidade, em 1984, “pioneiro nesta oferta a toda a Igreja Católica em Portugal”, de formação de sacerdotes, de leigos, de consagrados, e que, neste momento, “é um grande espaço de acolhimento de pessoas” que procuram esta ‘Casa de Oração’ para “recompor-se, conviver com a comunidade”, podem participar nos momentos de oração dos Carmelitas, “e vivem também momentos de interioridade que o próprio Espírito Santo orienta”.

“Isto não é mecânico, não existe o ‘on’ e o ‘off’, não existe. É preciso saber entrar, e o próprio ambiente vai convidando a que a gente vá acalmando, vá serenando, e vá permitindo que esta envolvência, que este silêncio, que este convite à interioridade vá tomando posse de nós; mas, de facto, é muito possível habitar o silêncio, e deixar-se habitar pelo silêncio, que é onde Deus melhor fala a cada um de nós. É nesta serenidade, neste estar disponível para acontecer. E acontece.” – Frei João Costa

Na igreja do Santuário do Menino Jesus de Praga encontra-se o presbitério que no centro tem Jesus – que está “no centro do imaginário de muita gente, no centro da peregrinação, das ocupações de muitas pessoas que peregrinam aqui em busca de silêncio, em busca de serenidade e de paz” -, de onde irradiam anjos, e onde “fica-se em silêncio, em serenidade”.

A Ordem dos Carmelitas Descalços em Portugal “sentiu a necessidade” de um espaço novo para a formação das vocações, há 55 anos, e, entre os vários lugares, proporcionou-se que fosse em Avessadas, “o lugar mais inesperado que poderia ser do mundo”, num espaço que era de uma Carmelita Descalça, a irmã Mariana, para o noviciado.

No Convento dos Carmelitas Descalços em Avessadas (Marco de Canaveses), encontram-se as Edições Carmelo, e no espaço envolvente o jardim, e a mata, o Monte da Oração, para além da quinta.

Programa ECCLESIA, em cada terça-feira de agosto e no dia 1 de setembro, vai ‘Habitar o silêncio’, através da visita a lugares de reflexão, com vários intervenientes, onde a proposta cristã e a natureza cruzam-se e convidam à interioridade.

CB

Foto: Agência ECCLESIA/LJ

Num dos espaços exteriores deste convento carmelita e do santuário cristológico, no Parque de Bênçãos dos veículos, existe um monumento edificado pelos 500 anos do nascimento de Santa Teresa de Jesus, que tem a “particularidade de fugir um bocadinho” ao esquema habitual dos cruzeiros, que são habituais entre Douro e Minho.

“É por escada, por degrau, e que nos convida à ascensão com um certo esforço, não esforçadamente, este cruzeiro convida-nos a fazer uma circularidade que não termina, que não fecha em si, e que vai fazendo-nos subir lentamente, desde o chão até aos pés do Menino Jesus, e, naturalmente, aos pés da Cruz”, explicou frei João Costa, no Programa ECCLESIA, desta terça-feira, 11 de agosto, na RTP2.

O chão deste monumento está marcado “com sinais, com números, que são as sete moradas de Santa Teresa de Jesus” que propõe como percurso para a interioridade, e, segundo o sacerdote Carmelita, é frequente as pessoas passarem no cruzeiro, “e vão fazendo, muitas vezes sem se aperceber, esta subida, um bocado lúdica, mas no fundo fica marcada como o símbolo da grande peregrinação ao interior”.

“Na base da cruz está uma pequena escultura do Menino Jesus, envolta em palhinhas, não quisemos deixá-lo ausente dali, porque o nome oficial é ‘Cruzeiro do Menino Jesus das Moradas de Santa Teresa’. Nós, os carmelitas, como toda a Igreja colocamos o centro da nossa fé na cruz, que é onde Jesus nos salva, mas também dizemos que na infância, no nascimento, naquele bebé que necessitava absolutamente do papá, de José, e da mãe, é já salvador”, desenvolveu frei João Costa.

Foto: Agência ECCLESIA/LJ

“O que é caminhar com uma criança? É caminhar ao espaço e à dimensão dela. São passos pequeninos, é andar vagaroso, e é isso que propõe Jesus, é que a salvação se faça por um andar com ele, à dimensão dele, passinho a passinho, muito pequenino. Ao passo que Jesus grande exige um grande esforço. Este menino é um encanto, é uma doçura, pede apenas um pequenino esforço, e esse pequenino esforço é salvador.”

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