Papa emérito disse que o seu predecessor «não é um rigorista da moral» e destacou dimensão da misericórdia no pontificado de 26 anos e meio

Cidade , 15 mai 2020 (Ecclesia) – O Papa emérito Bento XVI afirmou que São João Paulo II “não é um rigorista da moral” e destacou a “misericórdia” no Papa polaco, num texto pelo centenário do seu nascimento, que se comemora na próxima segunda-feira.

“Ao contrário do que às vezes se diz, João Paulo II não é um rigorista da moral. Ao demonstrar a importância essencial da misericórdia divina, ele dá-nos a oportunidade de aceitar as exigências morais colocadas ao homem, ainda que nunca poderemos satisfazê-las plenamente”, escreveu Bento XVI numa carta aos bispos da Polónia.

Na informação divulgada pelo portal ‘Vatican News’, o Papa emérito acrescenta que os “esforços morais são empreendidos à luz da misericórdia de Deus”, que se revela uma força que cura a fraqueza humana.

“Graças a Cristo ressuscitado, a misericórdia de Deus é para todos e todos devem saber que a misericórdia de Deus acabará por se revelar mais forte do que a nossa fraqueza”, desenvolveu.

Karol Jozef Wojtyla nasceu em Wadowice (Polónia), a 18 de maio de 1920, foi eleito Papa a 16 de outubro de 1978, e morreu no Vaticano, a 2 de abril de 2005; Francisco canonizou-o a 27 de abril de 2014, perante mais de um milhão de pessoas.

“Toda a vida do Papa foi centrada sobre este propósito de aceitar subjetivamente como seu o centro objetivo da fé cristã – o ensinamento da salvação – e consentir aos outros aceitá-lo”, explica Bento XVI do seu predecessor, na carta escrita pelo centenário do nascimento de João Paulo II.

O Papa emérito, que foi eleito no conclave de 2005, refere que na misericórdia se deve “encontrar a unidade interior da mensagem de João Paulo II e as intenções fundamentais do Papa Francisco”.

Francisco também já assinalou os 100 anos do nascimento de Karol Wojtyla escrevendo o prefácio de um livro para apresentar São João Paulo II aos jovens que não o conheceram.

“Foi um extraordinário educador de muitos jovens que através dele, quando era um jovem padre, foram introduzidos na fé concreta, testemunhada, vivida em todos os momentos da vida”, escreve o Papa argentino.

O livro “100 Anos. Palavras e imagens” é publicado pela editora do Vaticano, com uma coletânea de escritos e frases célebres desde o dia da eleição de São João Paulo II.

No prefácio, intitulado “Gratos na recordação de um Santo testemunha”, o Papa Francisco explica que o “sofrimento que viveu deixando-se confiar totalmente ao Senhor, o modelou e deixou ainda mais forte a fé cristã com a qual fora educado em família”.

O Papa polaco esteve três vezes no Santuário de Fátima em 18 anos, no mês de maio de 1982, 1991, e no ano 2000 quando regressou à Cova da Iria para beatificar os pastorinhos Francisco e Jacinta Marto.

Em Portugal, o cardeal-patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, vai presidir a Eucaristia que assinala os 100 anos do nascimento de Karol Wojtyla, às 19h00, do dia 18, na igreja de Nossa Senhora de Fátima, e que vai ser transmitida online pelas páginas Youtube, facebook e MEO Kanal do Patriarcado de Lisboa.

CB/OC

Karol Wojtyla nasceu em Wadowice, no sul da Polónia, filho de Karol Wojtyla, um militar do exército austro-húngaro, e Emília Kaczorowsky, uma jovem de origem lituana.

Em 1938 foi admitido na Universidade Jagieloniana, onde estudou poesia e drama. Durante a II Guerra Mundial (1939-1945) esteve numa mina em Zakrzowek, trabalhou na fábrica Solvay e manteve uma intensa atividade ligada ao teatro, antes de começar clandestinamente a sua formação como seminarista, acolhido pelo cardeal de Cracóvia.

Karol Wojtyla foi ordenado sacerdote em 1946, no dia 23 de setembro de 1958 foi ordenado bispo-auxiliar do administrador apostólico de Cracóvia.

Participou no Concílio Vaticano II, onde colaborou ativamente nas comissões responsáveis pela Constituição Dogmática Lumen Gentium e a Constituição Conciliar Gaudium et Spes; A 13 de janeiro de 1964 assume a sede episcopal de Cracóvia e, dois anos depois, o Papa Paulo VI eleva a diocese a arquidiocese cria Karol Wojtyla cardeal, aos 47 anos, em maio de 1967.

O cardeal polaco foi eleito Papa no dia 15 de outubro de 1978, o primeiro pontífice não-italiano desde 1522.

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