«Onde falta respeito as relações empobrecem, deformam-se e podem causar sérios danos», alerta Leão XIV

Cidade do Vaticano, 16 abr 2026 (Ecclesia) – O Papa afirmou que a proteção de menores não pode ser reduzido a “um conjunto de regras a serem aplicadas”, e que a comunidade cristã não se defenda “da dor daqueles que sofreram”, em mensagem à Conferência Episcopal Italiana.
“A proteção não pode ser entendida meramente como um conjunto de regras a serem aplicadas ou procedimentos a serem observados: requer uma sabedoria que afeta o estilo das comunidades”, assinala Leão XIV, na mensagem ao II Encontro Nacional de Representantes Locais para a Proteção de Menores e Adultos Vulneráveis, da Conferência Episcopal Italiana (CEI), citada hoje pelo portal ‘Vatican News’.
O Papa acrescenta que essa “sabedoria” afeta também “a maneira como a autoridade é exercida”, a formação dos educadores, “a vigilância dos contextos e a transparência dos comportamentos”, no documento assinado pelo secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Pietro Parolin, no dia 10 de abril, mas divulgada esta quinta-feira.
Segundo Leão XIV, a presença de menores e pessoas vulneráveis na Igreja desafia a consciência da própria Igreja, põe à prova a sua capacidade de expressar “cuidado autêntico”, que se manifesta na proteção, escuta, na prevenção e no “não deixar ninguém sozinho”.
“Por essa razão, também, o trabalho daqueles que promovem a formação, o discernimento, a coordenação e as boas práticas representa uma valiosa contribuição para o desenvolvimento de comunidades mais acolhedoras e conscientes”, desenvolveu.
O Papa explica que as feridas das pessoas que sofreram abusos exigem proximidade sincera, escuta humilde, e perseverança na busca por “o que é justo e possível de reparar”.
“Uma comunidade cristã experimenta a conversão evangélica quando não se defende da dor daqueles que sofreram, mas se permite ser questionada; quando não minimiza o mal, mas o reconhece; quando não se fecha por medo do escândalo, mas aceita os exigentes caminhos da verdade, da justiça e da cura.”
O II Encontro Nacional de Representantes Locais para a Proteção de Menores e Adultos Vulneráveis, com o tema ’Gerar relações autênticas’, está a decorrer em Roma, até dia 18 de abril, começou esta quinta-feira e termina sábado.
Leão XIV, que se dirige ao presidente da Conferência Episcopal Italiana, o cardeal Matteo Zuppi, indica que o tema deste encontro orienta a tarefa “essencial” das comunidades cristãs — paróquias, associações, movimentos — no reconhecimento da dignidade de cada pessoa e na salvaguarda de sua liberdade.
“Onde falta respeito as relações empobrecem, deformam-se, e podem causar sérios danos”, alerta o Papa.
Na visão cristã, realça o pontífice, o respeito não se limita à correção, mas eleva-se “a uma forma exigente de caridade” que protege o próximo “sem se apropriar dele”, acompanha-o “sem dominá-lo”. e serve-o “sem humilhá-lo”.
Para Leão XIV este encontro da CEI vai para além do “nível operacional”, e convoca a Igreja a crescer na “cultura da prevenção”, que é “cultura do cuidado evangélico”.
Neste segundo Encontro Nacional de Representantes Locais para a Proteção de Menores e Adultos Vulneráveis vai ser apresentado, em pré-estreia, espetáculo artístico e musical ‘E eu cuidarei de ti’, que dá voz à dor das vítimas e leva ao palco o flagelo do abuso em ambientes eclesiais, e o Papa considera que “também contribuirá para isso”, divulga ainda o portal de notícias do Vaticano.
“O Papa Leão XIV encoraja-vos a continuarem com confiança o vosso trabalho, para que as comunidades cresçam nas dioceses italianas, onde os mais vulneráveis sejam acolhidos, protegidos e amados”, conclui o secretário de Estado do Vaticano, desejando também que esta seja uma iniciativa de “muito sucesso”, bem como o serviço dos participantes “à Igreja e à sociedade”.
CB/OC
