Leiria-Fátima: Bispo afirmou que professores de EMRC são «uma linha da frente da evangelização da Igreja»

D. José Ornelas explicou que vê «a sede de vida, de um mundo melhor, de acolher», quando visita as escolas

Foto: Educris

Leiria, 15 jul 2026 (Ecclesia) – O bispo de Leiria-Fátima afirmou que os professores da disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) são “uma linha da frente da evangelização da Igreja”, e convidou-os a serem “esperança” na escola, no encontro final do ano letivo.

“Vós sois a linha da frente da Igreja no diálogo com o mundo. Uma frente missionária da Igreja; se as nossas escolas são hoje, em tantos casos, lugar de aprendizagem de cidadania, de bem-comum e de verdade, isso resulta também da vossa tarefa de formardes bem as novas gerações”, disse D. José Ornelas, na Eucaristia celebrada na praia da Vieira de Leiria, citado pelo portal online ‘Educris’, na informação enviada à Agência ECCLESIA.

O bispo de Leiria-Fátima incentivou os professores de EMRC da diocese a viverem a sua missão como “uma presença de esperança e de proximidade junto das novas gerações”, e explicou que, de modo particular quando visita as escolas, “vê-se a sede de vida, de um mundo melhor, de acolher”, “e a sede reconhece a fonte mesmo que não a saiba nomear”.

A partir das leituras proclamadas, o presidente da celebração realçou que “Deus é aquele que acompanha mesmo quando todos abandonam o povo”, e pediu aos professores da disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica que “transponham isto para a escola e para a sala de aula”.

“Quando quase todos, em algum momento da adolescência, se sentem abandonados, é aí que se deve enternecer o coração de um pai, de uma mãe. Não é apenas uma questão de falar de Deus, mas falando dos homens a Deus e levando de volta, de Deus para os homens”, desenvolveu.

Foto: Educris

Segundo D. José Ornelas, a missão dos professores de EMRC contribui para “construir uma sociedade nova, justa, fraterna”, onde o perdão seja entendido como um bem maior “e não como fraqueza, onde a equidade seja realidade e não utopia”.

“Precisamos de padres, de madres, mas precisamos de professores capazes de transmitir a paternidade e maternidade de Deus”, acrescentou, e lembrou os prejuízos provocados pela passagem do ‘comboio das tempestades’, no final de janeiro e início de fevereiro, na diocese, salientando que a reconstrução se faz “sem desesperar e sempre com esperança”.

Na homilia da celebração, o responsável diocesano reconheceu “a exigência da missão docente”, a sua “tarefa não é fácil”, ser professor é difícil “e ser professor de EMRC ainda mais difícil”, e a importância desta “disciplina na escola”.

“Vocês são uma linha da frente da evangelização da Igreja; sois muito importantes para a Igreja e fico sempre muito feliz de estar junto de vós”, sublinhou D. José Ornelas, acrescentando que os professores de EMRC desempenham uma missão particularmente exigente, “porque complexa é a educação dos mais novos, sobretudo na adolescência”.

Na Eucaristia de encerramento do encontro de final do Ano Letivo 2025/2026 dos professores de EMRC da Diocese de Leiria-Fátima, no dia 10 de julho, o bispo diocesano destacou a presença do Secretariado Nacional da Educação Cristã (SNEC), organismo da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé (CEECDF) da Igreja Católica em Portugal, uma proximidade que “dá corpo, une” e permite que se ajudem “mais uns aos outros”.

O diretor do SNEC agradeceu aos cerca de 43 professores de EMRC de Leiria-Fátima “o cuidado e o trabalho num ano” marcado pelo “comboio das tempestades”.

“O vosso trabalho, neste ano particularmente difícil, foi semente e inspirou-nos também a dar mais e a procurar estar mais atentos aos que nos são confiados”, disse Fernando Moita, secretário da CEECDF da CEP.

O ‘comboio de tempestades’ em Vieira de Leiria deixou marcas na comunidade educativa, com escolas destruídas, salas de aula inutilizadas e alunos e professores a terem de adaptar-se a uma nova realidade, para o professor Carlos Lourenço foi também um tempo de reforçar a “missão de acolher, escutar e devolver esperança”.

“Sentia-se um desnorte dos alunos, porque nós também não sabíamos bem como é que íamos funcionar. Havia alguma ansiedade, mas, quando a direção explicou como as aulas iriam decorrer, as coisas começaram a acalmar; centrei-me sobretudo no acolhimento deles e na partilha das experiências que viveram. Também dinamizámos campanhas de solidariedade e muitos alunos envolveram-se como voluntários”, recordou o docente de EMRC há 29 anos.

Carlos Lourenço, que leciona no Agrupamento de Escolas de Vieira de Leiria, explicou que o professor de Moral “é aquele que põe água na fervura”: “Todos queremos que as condições ideais regressem rapidamente, mas isso vai demorar. O nosso papel é reunir forças, dar esperança e mostrar que, apesar das dificuldades, vamos conseguir seguir em frente”.

A lei prevê a oferta obrigatória da disciplina curricular de Educação Moral e Religiosa Católica do Ensino Básico ao Secundário, e também nos cursos profissionais.

A Concordata assinada em 2004 entre Portugal e a Santa Sé consagra a existência da disciplina de EMRC, sendo os professores propostos pelos bispos, nomeados pelo Estado e pagos pela tutela; é uma componente do currículo nacional, de oferta obrigatória por parte dos estabelecimentos de ensino e de frequência facultativa pelos alunos.

CB/OC

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