Irmãos e irmãs,

Ao entrar na sua cidade santa de Jerusalém, montado num jumentinho, permitindo que o aclamem como Rei, Jesus revela-se como o Messias prometido. Mil anos antes era o Rei David que entrava na cidade em glória pelas vitórias conseguidas nas batalhas que travara. Agora, Jesus assume-se como o Messias prometido e deixa-se aclamar porque n’Ele acontece a vitória de Deus sobre o mal. Vai acompanhado pelos seus discípulos e pelos pobres, aqueles a quem fez surgir esperança e sentido de pertença confiante na sua pessoa. São pessoas pobres mas livres que, confiando em Jesus, ganharam confiança e gosto por viver dependentes de Deus.

Porém, a batalha ainda não estava concluída, Jesus havia de experimentar e assumir toda a desgraça humana. Sem ser pecador, experimenta o resultado do pecado, o sofrimento moral e físico, mantendo sempre a sua confiança no Pai, apesar do sentimento de abandono.

Unamo-nos ao Senhor na sua entrega, que é ao mesmo tempo de grande confiança no Pai, de grande sofrimento e de grande solidão. Por quê assim? Era necessário tanto sofrimento? Na sua entrega, Jesus identifica-se com todos os desgraçados e desafortunados deste mundo e cura-nos da ilusão da vida egoísta.

Jesus não morreu de acidente, nem de catástrofe natural, nem de doença. Foi uma morte com uma intensidade e um significado especial. Para dar início a uma nova História humana, para fazer luz na escuridão da vida e da sociedade, para recuperar o verdadeiro sentido da liberdade humana, para que a verdade acerca de Deus e acerca do ser humano fosse revelado, para que a justiça triunfasse, Jesus entrega-se e morre por Amor, para depois tornar-se presente junto do Pai e no coração de todos aqueles que ouvindo a sua Palavra acreditam n’Ele. É esta a experiência da Igreja, Povo de Deus.

A Palavra sagrada neste Domingo e nesta semana santa, é extensa e densa. Mas não é para nos entristecer que escutamos esta Palavra. A razão pelo qual, nesta semana, nos demoramos na Liturgia e nas orações, é para darmos glória a Deus e para reconhecermos com que Amor o Senhor Jesus nos amou. É este amor, que nos alimenta como cristãos, que queremos celebrar, agradecer e testemunhar. Um Amor que é dom e que também se vive em situações de sacrifício e de luta interior, para trilhar o caminho da fidelidade.

Esta celebração desafia-nos a acompanhar Cristo na sua Páscoa. Para os cristãos, a Semana Santa deve ter a marca da Paixão do Senhor, e ser vivida com densidade espiritual.

Deixando-nos envolver pelo ritmo e beleza da Liturgia da Igreja, vivamos esta Semana Santa, com Fé confiante, gratidão e generosidade, contemplando a grandeza do Amor com que Deus nos consagrou como seus Filhos.

-Nós vos adoramos e bendizemos ó Jesus!

-Que remistes o mundo pela vossa santa cruz.

D. José Traquina, Bispo de Santarém

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