História/Sínodo: D. Manuel Clemente apresenta o perfil de «mulheres determinantes na vida da Igreja»

Patriarca emérito de Lisboa começou por Santa Helena, a mãe do imperador Constantino, que «consagrou o Império em termos cristãos»

Lisboa, 07 abr 2026 (Ecclesia) – O cardeal D. Manuel Clemente iniciou, hoje, com Santa Helena, a mãe do Imperador romano Constantino, um ciclo de conversas dedicado às mulheres na Igreja, figuras femininas destacadas pelo Sínodo dos Bispos sobre Sinodalidade, no Programa ECCLESIA (RTP2).

“É uma figura que ganha uma centralidade muito grande nessa época, definitiva para o avanço do cristianismo no âmbito do Império Romano, e que tem em Santa Helena, a sua figura mais expressiva”, disse o patriarca emérito de Lisboa, esta terça-feira, na primeira conversa deste novo ciclo sobre mulheres na história da Igreja.

D. Manuel Clemente, especialista em História da Igreja, salienta que foi Santa Helena (c. 248 – c. 329) “que consagrou o Império em termos cristãos”, ligando “aos lugares santos de nascimento e da paixão e da ressurreição de Cristo”, pela companhia que fez ao seu filho Constantino, e por ser “reconhecida, precisamente, como uma fazedora de paz”, que foi cunhada em moedas.

“O próprio Imperador Constantino, com certeza com a autorização dele, cunha moedas com a efígie da mãe, de Santa Helena, com os atributos imperiais, e é curioso que essas moedas, no verso e reverso, é representada à paz, ou seja, assinalando o lugar que ela tinha tido na manutenção e na conservação da paz no Império, do seu filho, o que é também muito bonito”, salientou o cardeal português.

O patriarca emérito de Lisboa explica que no princípio do século IV, “concretamente em 313”, com uma disposição, uma circular, os imperadores romanos Constantino e Licínio “deram liberdade à Igreja, os cristãos podiam prestar o seu culto livremente, como também os outros”, o que foi muito importante e “marcante para a fase seguinte da vida da Igreja”.

O especialista em História da Igreja recorda que quando “Constantino toma o poder, uma das primeiras coisas que faz”, é levar a mãe para o seu lado, que “passa a ter honras de imperatriz”, e Santa Helena, que se torna “uma figura, muito próxima do filho”, tem “um papel, digamos, moderador, porque ambos passam do paganismo ao cristianismo”.

“Ela marca pela sua vontade de servir os outros, de acudir quem precisa, aquilo que nós podemos chamar de obras de caridade, e são de misericórdia, e ela começa a notar-se por isso tudo. Outro aspeto pelo qual ela figura muito próxima deste novo tempo da história da Igreja, é que nos anos XX, estamos no século IV, toma a iniciativa de ir à Terra Santa”, destaca D. Manuel Clemente.

Santa Helena foi procurar os lugares onde “Jesus Cristo tinha sofrido, morrido, onde tinha ressuscitado”, onde se encontrava com os apóstolos, “aqueles lugares mais ligados aos momentos finais da vida terreira de Jesus Cristo”, consegue encontrar o lugar da “morte do Senhor, tanto o Calvário e o Sepulcro”, e outros locais como no Monte das Oliveiras.

“E ela vai não só encontrar esses locais, mas, segundo sempre o relato de Santo Ambrósio e os outros autores a seguir, vai patrocinar que nesses sítios se levantem lugares de culto, coisa que depois o seu filho acompanhará, e tinha mesmo que acompanhar, até porque ele é que era o Imperador”, acrescentou o cardeal, especialista em História da Igreja.

‘Mulheres na Igreja’, é o tema deste ciclo de conversas de D. Manuel Clemente com o jornalista Paulo Rocha, à terça-feira, no Programa ECCLESIA, transmitido na RTP2, a partir do perfil de ‘mulheres importantes’ apresentadas no relatório do Grupo de Estudo número 5 – ‘A participação das mulheres na vida e na liderança da Igreja’ – do Sínodo dos Bispos sobre Sinodalidade.

PR/CB/OC

O Vaticano publicou o relatório final do grupo de estudo do Sínodo sobre o papel das mulheres, no dia 10 de março, que denuncia atitudes de “machismo” e apela a uma “mudança de mentalidade” nas estruturas eclesiais.

publicação é composta por uma síntese dos trabalhos e apresenta um extenso corpo de apêndices, que vão desde a análise de figuras femininas no Antigo e Novo Testamento e na História da Igreja, até reflexões críticas sobre o chamado “princípio mariano” e testemunhos atuais de mulheres em lugares de decisão.

Os grupos de estudo foram instituídos por mandato do Papa Francisco, no início de 2024, no período que mediou as duas sessões da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, sobre o tema da sinodalidade.

A decisão confiou a peritos de todos os continentes uma série de questões com implicações teológicas, pastorais e jurídicas complexas, para um maior aprofundamento.

Leão XIV determinou que estes relatórios finais sejam tornados públicos de forma progressiva, numa iniciativa que se iniciou a 3 de março.

A XVI Assembleia Geral do Sínodo, cuja segunda sessão decorreu de 2 a 27 de outubro de 2024, teve como tema ‘Por uma Igreja sinodal: participação, comunhão, missão’; o processo começou com a auscultação de milhões de pessoas, pelas comunidades católicas, em 2021, e a primeira sessão sinodal decorreu em outubro de 2023.

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