Fátima: D. José Ornelas exorta «todos a abrir o coração e estender a mão a quem chega e parte»

Bispo diocesano deixou uma mensagem final aos peregrinos, na Missa da Peregrinação do Migrante e Refugiado, na qual recordou Eugénio Fonseca e vítimas do terramoto na Colômbia e Venezuela 

Foto: Santuário de Fátima

Fátima, 13 ago 2026 (Ecclesia) – O bispo de Leiria-Fátima, D. José Ornelas, exortou hoje a abrir o coração e a ajudar os migrantes que chegam a Portugal e os que partem do país, na Missa da Peregrinação do Migrante e do Refugiado ao Santuário de Fátima.

“Que Maria, que foi migrante e refugiada no Egito, para salvar o seu Filho, que havia de tornar-se o salvador da humanidade, nos ajude a todos a abrir o coração e estender a mão a quem chega e parte para construirmos juntos uma humanidade e um mundo mais humano e mais fraterno”, afirmou o responsável católico, na mensagem final aos peregrinos, no recinto de oração do Santuário.

Fátima acolheu esta quarta e quinta-feira a Peregrinação do Migrante e do Refugiado, que foi presidida pelo núncio apostólico em Portugal, D. Andrés Carrascosa Coso, integrada na Semana Nacional de Migrações, com o tema “Da fragilidade à Esperança”, que decorre até dia 16 de agosto.

Na conclusão da celebração, D. José Ornelas saudou “todos os peregrinos, especialmente os migrantes”: “aqueles que partiram deste país para todo o mundo e os que, de todo o mundo, estão chegando ao nosso país”.

“Esta é ‘Casa da Mãe para todos, todos, todos’, sem excluir ninguém, como dizia o Papa Francisco. Sede bem-vindos a esta nossa casa comum, sob a proteção e o exemplo da Mãe, para que, peregrinando para nossa casa ou à procura dela, colaboremos para fazer desta terra a «casa comum da humanidade», como diz o mesmo Papa, na encíclica ‘Laudato si’’”, expressou.

O bispo de Leiria-Fátima agradeceu, de forma especial e amiga, ao núncio apostólico, “que torna bem presente”, no país, “o ministério do Santo Padre Leão XIV”, naquele Santuário.

Obrigado, caro arcebispo Andrés, pelas suas palavras amigáveis e estimulantes sobre o tema da nossa peregrinação que, no mês de agosto, tem sempre presente a grande parte da humanidade que é peregrina e migrante na terra”, referiu.

D. José Ornelas manifestou a intenção de que os peregrinos levem a mensagem do embaixador da Santa Sé, que “reflete a grande atenção da Igreja, e em particular do Papa Leão XIV”, que chama a atenção “para as pessoas que, impulsionadas pela necessidade, enfrentam enormes desafios, manipulação, exploração e morte, em busca de um mundo melhor”.

Foto: Santuário de Fátima

“Que esta peregrinação nos permita adotar a atitude da Mãe do céu que, aqui em Fátima, veio cuidar dos mais pequenos e insignificantes e os transformou em profetas da paz, da misericórdia e do acolhimento maternal do seu coração”, desejou.

O responsável católico recordou também as vítimas dos terramotos que atingiram a Venezuela e a Colômbia, rezando por elas.

Aos mais pequenos, D. José Ornelas deixou também uma mensagem, saudando-os com “alegria e carinho” e referindo que Nossa Senhora de Fátima fica contente com a sua presença naquele lugar, que é a “Casa da Mãe”.

“Nesta casa da Mãe, ela convida a todos a sentirem-se na sua casa como irmãos e irmãs, seja qual for a sua nacionalidade, a sua língua e a sua cultura, a cor da sua pele. Aqui somos todos filhos e filhas de Deus e nesta casa da Mãe, ela pede que nos aceitemos como irmãos e amigos”, indicou.

O bispo diocesano fez também um apelo, o mesmo que Maria fez aos pastorinhos Francisco, Jacinta e Lúcia: “Rezemos pela Paz e trabalhemos pela paz, acolhendo com alegria aqueles que encontramos nas nossas escolas, nas nossas cidades, nas nossas férias, seja qual for o país onde nasceram, a cor da pele ou a cultura que trazem”.

Aqui, a Mãe do Céu pede que nos tratemos todos como irmãos e amigos, para evitar ódios, conflitos e guerras e construir juntos a paz e a felicidade para todos. Boas Férias!”, desejou.

A Peregrinação do Migrante e Refugiado ao Santuário de Fátima insere-se na 54.ª edição da Semana Nacional de Migrações 2026, que decorre até domingo, com o tema ‘Da fragilidade à Esperança’.

Foto: Agência ECCLESIA/MC

Numa nota final na celebração, o bispo de Leiria-Fátima recordou Eugénio Fonseca, presidente da Confederação Portuguesa do Voluntariado, que morreu aos 69 anos na sequência de uma paragem cardiorrespiratória.

Falando num “amigo e colega de caminho”, D. José Ornelas destacou que, “nos 21 anos” em que o antigo presidente liderou a Cáritas Portuguesa, “foi o rosto apaixonado de incansável samaritano da Igreja para os sem-abrigo, os que ficam à beira do caminho, os sedentos de justiça, de acolhimento, de casa, pão e esperança, de uma terra mais fraterna e em paz”,

“Nesta casa da Mãe, faço memória desta partida, juntando-me ao luto da família e da Igreja de Setúbal, mas dando igualmente graças a Deus pelo testemunho de vida deste irmão, pedindo que as sementes de misericórdia que ele semeou cresçam no terreno da nossa sociedade e da nossa Igreja, para a construção de um mundo de justiça, de acolhimento e paz solidária para todos”, apelou.

LJ

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