Patriarca de Lisboa, neste regresso à sua terra natal, destacou a importância comunitária nesta recuperação, que já esteve na origem da construção da igreja
Fátima, 13 ago 2026 (Ecclesia) – D. Rui Valério presidiu às Festas de Nossa Senhora da Piedade da Urqueira, a sua terra natal, em Ourém, realizadas de 7 a 9 de agosto, na igreja paroquial que já tem um telhado novo, danificado na tempestade Kristin.
“A tempestade Kristin fez mossa na igreja, e praticamente na maior parte dos edifícios da freguesia, mas particularmente da igreja, que foi sentido por toda a população de uma maneira especial, e particular, exatamente porque se trata da Casa do Senhor”, disse o patriarca de Lisboa, esta quinta-feira, 13 de agosto, no Programa ECCLESIA, na RTP2.
O patriarca de Lisboa explica que os danos da passagem da depressão Kristin na igreja da Paróquia da Urqueira “foram avolumados, não só ao nível do telhado, como entrou água até uma altura significativa do chão”, e, durante vários meses, esteve fechada, agora, “graças a Deus, e fruto dessa união solidária que mobilizou pessoas de perto e de longe, finalmente conseguiu-se reparar o telhado”.
A depressão Kristin, que atingiu a região Centro a 28 de janeiro, e a sucessão de depressões meteorológicas – um ‘comboio de tempestades’ – deixaram um rasto de destruição pelo território português, mortos, centenas de feridos e desalojados.
As festas religiosas de Nossa Senhora da Piedade da Urqueira realizaram-se na igreja paroquial, de 7 a 9 de agosto, e, segundo o presidente da Missa solene, celebrada este domingo, esta festa “é sempre um momento para reafirmar a devoção, a ternura, o amor, o carinho à Nossa Senhora e a Jesus Cristo”.
“Em segundo lugar, as festas têm um cariz profundamente comunitário, são em agosto, é um tempo em que os nossos imigrantes regressam e, nessa medida, a festa torna-se o pretexto onde os amigos se reencontram, memórias são evocadas. Este ano tiveram um sabor especial porque estivemos a viver quase que o momento do reinício”, assinalou, num dos pontos de interesse da Urqueira, as fontes de água que são “lugar de peregrinação”.
Natural desta comunidade em Ourém (Diocese de Leiria-Fátima), D. Rui Valério afirma que “a vida de fé, a vida cristã, faz parte do ADN desta população”, e esta igreja “faz parte integral” da sua história de vida, para além de ser “interessantíssima” a sua edificação, o prior da altura construiu-a “com a colaboração de toda a população”.
A infância do patriarca de Lisboa foi vivida “com uma grande proximidade à família, com um enorme contacto com a natureza”, mas também recordou “um acontecimento doloroso, uma queimadura”, que obrigou a seis meses de internamento no antigo Hospital Universitário de Coimbra, e que “foi um tempo da maturidade espiritual, afetiva, humana”, que o fez despertar “para a vida de serviço a Jesus Cristo”.
Em Fátima, para onde D. Rui Valério foi estudar após a escola primária, em 1976, quando entrou para o Seminário dos Missionários Monfortinos, e ficou até ao final do ensino secundário, explicou que escolheu esta congregação religiosa fascinado pela “palavra missionários”, o ideal que tinha de ser padre, “era verdadeiramente ser missionário”.
“Foi um sonho que sempre acalentei era poder partir para as missões. Essa teria sido uma das portas principais para a minha entrada, e adesão a Jesus Cristo na Companhia de Maria, que é o nome oficial da congregação. Em segundo lugar, o papel central que Nossa Senhora tem na espiritualidade, no carisma e na missão dos Monfortinos”, explicou.
O patriarca de Lisboa recordou que a “terceira grande motivação” que os Missionários Monfortinos lhe deram foi “a importância que tem o fazer em comunidade, o ser em conjunto”, e, um último fator, o “próprio exemplo” do fundador, São Luís Maria de Montfort, a quem se habituou “a reconhecer e a ver como uma configuração de Jesus Cristo”.
Para D. Rui Valério sentir-se acompanhado por Nossa Senhora “é razão bastante” para dizer-se “sempre sim”, independentemente do tamanho, das medidas, “das dificuldades e dos desafios”, explicou no ‘Caminhos na minha terra’, a proposta do Programa ECCLESIA à quinta-feira, até dia 3 de setembro.
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